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Pesquisadores da Unesp encontram mais de 650 espécies de plantas

Publicado em 05 fevereiro 2010

Ao realizar um amplo levantamento florístico em áreas da Reserva Biológica Municipal da Serra do Japi, localizada no município de Jundiaí (SP), pesquisadores do Departamento de Botânica da Universidade Estadual Paulista (Unesp), em Rio Claro, já encontraram mais de 650 espécies de plantas, incluindo o registro de novas ocorrências para a reserva.

Em relação a outros levantamentos, o estudo acrescentou até o momento 338 espécies de plantas, elevando o número de registros para 990 espécies pertencentes a 139 famílias.

A partir de coletas feitas com espécies em estágio reprodutivo - realizadas mensalmente de maio de 2007 a novembro de 2008 - os pesquisadores elaboraram uma lista florística, isto é, um mapa da região que inclui de forma abrangente espécies de plantas da reserva municipal oficialmente criada em 1991.

De acordo com Júlio Antonio Lombardi, professor do Departamento de Botânica da Unesp, além de contribuir para o conhecimento da flora na reserva, o estudo acrescenta informações suplementares a outros trabalhos taxonômicos realizados na área.

A pesquisa teve como objetivo identificar a presença de várias espécies de plantas invasoras, raras ou endêmicas e também de subsidiar eventuais projetos de conservação e manejo.

"Grande parte dos levantamentos realizados no país, nas áreas de florestas, é feita de forma quantitativa, com foco na flora arbórea, mas não na flora em geral. Mede-se diâmetro ou altura de um determinado grupo de árvores, em uma determinada área restrita", disse Lombardi Agência FAPESP.

A pesquisa, intitulada "Florística vascular da reserva biológica municipal da Serra do Japi", coordenada por ele, teve o apoio da FAPESP na modalidade Auxílio à Pesquisa - Regular.

Segundo Lombardi, o inventário realizado procura reconhecer e mapear o que existe na reserva. "É importante porque aquela região faz parte do cinturão verde de São Paulo. E as áreas verdes estão cada vez menores", ressaltou.

A reserva, localizada nos municípios de Jundiaí, Cabreúva e Cajamar, compreende uma parte da Serra do Japi e ocupa uma área de 2.071 hectares, com 191,70 quilômetros quadrados de área tombada do total de 350 quilômetros quadrados de extensão total da serra.

Por ser uma área de encontro da Mata Atlântica com a floresta de planalto, a Serra do Japi apresenta enorme riqueza em termos de biodiversidade. Mas, por estar incrustada entre três grandes centros urbanos e industriais do Estado de São Paulo (São Paulo, Jundiaí e Campinas), sofre com maior intensidade as pressões de urbanização.

"É uma região com importantes centros econômicos, mas que também está entrecortada por várias instituições de pesquisa e universidades. Nosso interesse surgiu a partir da constatação de que havia ocorrências de espécies que não haviam sido registrados por estudos anteriores", contou.

Nova ocorrência

Os pesquisadores coletaram espécies de plantas vasculares presentes na área, incluindo cultivadas e invasoras, como as ruderais (que crescem em terrenos baldios), arbustivas e trepadoras, entre outras, menos contempladas nos levantamentos tradicionais.

Na reserva biológica foram coletadas 652 espécies de plantas pertencentes a 128 famílias. E, até o momento, a identificação das espécies coletadas permitiu a determinação de uma nova ocorrência para a região, a Cissus striata subsp. argentina.

"Essa espécie de trepadeira é muito comum no Sul do país, subindo pela Serra da Mantiqueira, em Minas Gerais e Rio de Janeiro, mas não havia sido observada próximo a São Paulo e a Campinas", disse.

De acordo com Lombardi, a consideração dos números obtidos deve ser feita com cautela. "Não podemos descartar a presença de identificações conflitantes ou errôneas. Por isso, estamos elaborando um mapa da região, revisando os dados e elaboramos um artigo que está sendo submetido para publicação na Revista Brasileira de Botânica", explicou.

De acordo com o docente da Unesp, a Serra do Japi é área prioritária para conservação, representando a maior porção de florestas contínuas no interior do Estado de São Paulo, uma das áreas mais importantes que abrigam remanescentes da flora e da fauna existentes na região Sudeste do país.

"Um dos grandes problemas ali ainda é a questão fundiária. Existe verba para desapropriar o que resta de propriedade particular na área, mas, devido a questões burocráticas, pouco tem sido feito", disse.

Fonte: Envolverde/Agência Fapesp