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Universia Brasil

Pesquisadores da UNESP de São José do Rio Preto desenvolvem monitoramento da qualidade da água e do ar na região

Publicado em 18 julho 2008

Desde 2006, o Projeto equipe Jovem Pesquisador intitulado "Emprego de indicadores de qualidade da água e outros recursos de gestão ambiental para avaliar o efeito das atividades antrópicas sobre os rios Turvo, Preto e Grande na cidade de São José do Rio Preto". A função das substâncias húmicas no transporte de metais presentes nesses corpos aquáticos é desenvolvido no Departamento de Química e Ciências Ambientais do Instituto de Biociências, Letras e Ciências Exatas (Ibilce) da Unesp, campus de São José do Rio Preto. Atualmente, recebe apoio financeiro da Fapesp para a aquisição dos equipamentos e materiais necessários e conta com dois professores responsáveis, a docente Márcia Cristina Bisinoti e o jovem pesquisador Altair Benedito Moreira, e 17 estagiários - entre eles, alunos de Iniciação Científica e Treinamento Técnico.

O objetivo do projeto é gerar conhecimentos detalhados sobre a quantidade de substâncias químicas poluentes em diferentes tipos de recursos hídricos, procurando esclarecer os agentes e mecanismos controladores desses processos de modo que os estudos desenvolvidos possam ser utilizados como base para o estabelecimento de políticas públicas de melhoria do meio-ambiente. Uma das preocupações dos pesquisadores, por exemplo, é elucidar qual a real contribuição dos esgotos domésticos e industriais no nível de contaminação das águas de abastecimento público da região em foco.

Para tanto, o projeto é dividido em quatro frentes: estudo de indicadores biológicos; avaliação dos parâmetros físico-químicos (como alcalinidade, pH, condutividade, temperatura, espécies metálicas etc.); averiguação das condições biogeoquímicas da água (caracterização da matéria orgânica e substâncias húmicas); e análise da qualidade do ar na cidade de Rio Preto. "É muito importante estudar a situação dessas substâncias na região para podermos saber como a ação humana está interferindo na natureza", explica Bisinoti. "A qualidade do ar em Rio Preto, por exemplo, é muito influenciada pela queima de palha de cana-de-açúcar e pelas duas rodovias que cortam a região. Por isso, devemos ficar atentos aos resultados dessas pesquisas como uma forma de saber como nosso comportamento está afetando a natureza a nossa volta", finaliza.

O processo acontece de acordo com duas etapas: trabalho de campo e análise laboratorial. Todos os estudantes envolvidos participam de ambas as fases do projeto, que consistem na coleta mensal de material - como amostras de água pluvial e fluvial, sedimentos e peixes -, e posterior estudo do mesmo para a avaliação das condições ambientais das áreas pesquisadas, que englobam a região desde Catanduva até Votuporanga. Thiago Luiz Sposito, que se formou em Química Ambiental pelo Ibilce no ano passado e hoje é integrante do projeto na categoria de Treinamento Técnico, desenvolve um trabalho com bioindicadores, ou seja, analisa organismos vivos da bacia estudada para descobrir o que eles podem revelar sobre o meio-ambiente.

"Meu trabalho é verificar a presença de HPA (Hidrocarbonetos Policíclicos Aromáticos) na bílis de peixes. O que fazemos é avaliar se há exposição do organismo à substância, que pode ser proveniente da queima incompleta de biomassa, e quais as conseqüências disso para o meio-ambiente", explica Sposito. No momento, essa vertente do projeto está em fase laboratorial - com a exposição de peixes ao composto - e, uma vez que a autorização do Ibama e da Polícia Ambiental já foi obtida, nos próximos meses os espécimes começarão a ser coletados dos rios pesquisados.

Uma das dificuldades enfrentadas na realização do projeto é que não há um programa de pós-graduação pelo Departamento de Química e Ciências Ambientais do Instituto, fato compensado pelo apoio que o projeto recebe da Fapesp. "Felizmente, podemos contar com alunos já graduados que continuam sua contribuição com o projeto graças ao apoio financeiro concedido pela Fapesp. No entanto, se houvesse a possibilidade de pós-graduação pelo Departamento, com certeza conseguiríamos ampliar nossa equipe e obter resultados com mais eficiência e rapidez", declara Moreira. A existência de um programa de pós-graduação já foi solicitada junto à Capes e a resposta deve ser dada até setembro.

Segundo a professora Bisinoti, o projeto é importante para a comunidade interna do campus na medida que os alunos se envolvem com o assunto e obtêm um conhecimento aprofundado sobre ele. Quanto à comunidade externa, o principal benefício é que a realização de tais pesquisas possibilita a obtenção de mais informações acerca da qualidade do local onde vivemos e de como nossas ações estão modificando esse ambiente, assim como possíveis medidas para reverter processos indesejados.

"Nossa intenção, assim que obtivermos os resultados das quatro frentes de pesquisa com as quais estamos trabalhando no momento, é publicar nossas descobertas e constatações em revistas científicas e apresentar esses resultados a órgãos competentes como a Cetesb e o Semae", declara a docente.

Fonte: Unesp