Notícia

G1

Pesquisadores da UFU descobrem que oleorresina de árvores copaiferas pode impedir infecção causada pelo protozoário da toxoplasmose

Publicado em 06 outubro 2020

Rica em princípios ativos, seiva da espécie que é típica das regiões amazônicas e do Centro-Oeste, inibe infecção causada pelo T.Gondii. Estudo inicial foi publicado no Scientific Reports.

Dois pesquisadores da Universidade Federal de Uberlândia (UFU) assinaram um artigo no jornal científico Scientific Reports, vinculada ao grupo Nature. Ao estudarem a toxoplasmose congênita eles descobriram que a oleorresina, de algumas espécies de árvores do gênero copaifera, agem como uma barreira para o ingresso do protozoário T.Gondii - causador da doença infecciosa -, nas células da placenta. As árvores do gênero estudado são abundantes no Brasil, principalmente na região amazônica.

A descoberta foi publicada no dia 16 de setembro em parceria com pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP/Ribeirão Preto) e Universidade de Franca (Unifran), que ajudaram na coleta, caracterização e tratamento dos óleos das plantas utilizados no estudo.

Na Universidade Federal de Uberlândia (UFU), os experimentos foram conduzidos no Laboratório de Imunofisiologia da Reprodução do Instituto de Ciência Biomédicas (ICBIM/UFU), sob a orientação e supervisão da professora Eloisa Ferro e do biólogo Samuel Cota Teixeira, bolsista de pós-doutorado da Capes.

A pesquisa teve financiamento da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), Fundação de Amparo à Pesquisa de Minas Gerais (Fapemig) e Fundação de Amparo à Pesquisa de São Paulo (Fapesp).

A inovação da pesquisa

Os cientistas aplicaram a oleorresina de diferentes espécies de copaifera em cultura de células e em placentas com a presença do Toxoplasma gondii. “Nós observamos que as oleorresinas das diferentes espécies apresentaram uma ação extremamente importante ao passo de inibir a infecção pelo Toxoplasma gondii. Muitas vezes, a ação da oleorresina foi até mesmo melhor comparada às drogas clássicas. Essa ação antiparasitária se dá de duas formas: ação direta contra o parasito intracelular e também pela ligação com as células, fazendo que elas fiquem mais fortes e consigam combater melhor a infecção”, explicou Samuel Teixeira.

Todo o material biológico foi coletado no Hospital de Clínicas da UFU com a autorização das pacientes.

Esse é um estudo inicial. Ainda não é possível dizer que o óleo de copaíba seja eficaz no tratamento da Toxoplasmose em seres humanos, porém, essa descoberta será aprimorada e, dependendo dos resultados, pode ajudar os médicos na prática clínica. “A oleorresina é rica em princípios ativos, mas ainda não sabemos exatamente as substância que estão levando ao controle da infecção do parasita".

Segundo os pesquisadores, o próximo passo é avaliar e determinar os princípios ativos anti Toxoplasma gondii, e aumentar os estudos saindo da parte in vitro e indo para modelos in vivo.

Toxoplasmose: doença silenciosa

O Toxoplasma gondii, protozoário causador da toxoplasmose, percorre um longo caminho até infectar as células humanas. Ele fica alojado nas fezes de felinos e pode chegar até os seres humanos por meio da ingestão de comida e água contaminadas. Uma das manifestações mais graves da doença acontece quando uma gestante é contaminada e transmite para o feto.

O quadro epidemiológico da Toxoplasmose no Brasil é expressivo. “A prevalência dessa doença é extremamente alta. No Brasil, costumamos falar que em uma sala com 10 indivíduos, cerca de 6 a 7 são infectados pelo Toxoplasma gondii”, afirmou Teixeira.

Segundo o Ministério da Saúde, a ocorrência dessa zoonose em gestantes pode causar aborto, ou nascimento de criança com icterícia, macrocefalia, microcefalia e crises convulsivas. Além disso, Teixeira destaca que a toxoplasmose congênita prejudica a saúde antes mesmo do nascimento.

“Quando o médico detecta que a gestante tem a infecção, mas o feto ainda não foi atingido, é feita a prescrição de um medicamento antiparasitário que é efetivo apenas para ela. Entretanto, quando ambos são infectados, o tratamento é feito com a combinação de três drogas que trazem efeitos colaterais para os dois: se o tratamento é aplicado no primeiro trimestre, a criança em formação pode sofrer mutações e existe a possibilidade de problemas gastrointestinais na gestante, por exemplo”.

 

Essa notícia também repercutiu nos veículos:
Comunica UFU - Universidade Federal de Uberlândia Alô Uberlândia