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Pesquisadores da UFSCar criam papel sintético

Publicado em 11 fevereiro 2009

Por Micheli Rueda

Pesquisadores da Universidade Federal de São Carlos (DEMa - UFSCar), em parceria com a Vitopel, empresa produtora de filmes flexíveis biorientados, e aporte da Fundação de Amparo a Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) desenvolveram o papel sintético produzido com plásticos reciclados.

O produto utiliza a tecnologia dos filmes de polipropileno biorientado (BOPP) - filmes plásticos que são usados em rótulos, embalagens de biscoitos, salgadinhos, na indústria gráfica, entre outras aplicações -, porém contendo diferentes tipos de polímeros em sua composição. Vale lembrar que o papel sintético, que não utiliza celulose em sua composição, gerou polêmica dentro do setor de papel e celulose após a divulgação equivocada de que cada tonelada do produto evitaria a derrubada de 30 árvores.

De acordo com José Ricardo Roriz Coelho, presidente da Vitopel, o projeto será um marco para a indústria de plástico, pois o "plástico descartado ganhará um destino nobre". O executivo explica que o papel sintético é de excelente qualidade, tem maior durabilidade que um papel comum, pode ser reciclado inúmeras vezes, é resistente à umidade e tem aspecto similar ao do papel couché.

"O ponto forte do produto é a economia de água, energia e uso de produtos menos tóxicos na sua produção", afirma Sati Manrich, professora associada da UFSCar do Departamento de Engenharia de Materiais.

O papel sintético, que pode ser produzido a partir de garrafas descartadas, embalagens, frascos plásticos usados, entre outros, conquistou uma patente depositada em nome dos três parceiros envolvidos: Vitopel, UFSCar e Fapesp.

Segundo Roriz, o papel sintético não vai substituir o papel comum. "Não temos essa intenção, pois o produto vai atuar como complementar ao papel comum, sendo mais uma opção no mercado", avaliou.