A primeira vacina contra a dengue em dose única, aprovada pela nesta quarta-feira (27) pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), foi desenvolvida também pela Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), por meio do Hospital Universitário Júlio Müller (HUJM) e da Faculdade de Medicina. Os pesquisadores da instituição participaram diretamente nos ensaios clínicos que ajudaram a validar vacina para pessoas de 12 a 59 anos.
O imunizante, desenvolvido pelo Instituto Butantan, recebeu aval nesta semana após demonstrar eficácia e segurança. Em Cuiabá, o estudo foi conduzido pelo professor Cor Jesus Fernandes Fontes, que destaca que o país convive há décadas com elevada carga da doença, com impacto no trabalho dos pacientes e risco maior nos grupos vulneráveis.
Segundo ele, a vacina tetravalente chega “em momento oportuno” e deve contribuir para reduzir a transmissão da dengue. “Sua alta eficácia e segurança permitirão uma cobertura vacinal ampla na faixa populacional mais exposta”, afirmou.
Fontes ressalta, porém, que a aprovação não encerra o trabalho científico. Ele defende o monitoramento contínuo após a aplicação na população, com avaliação de eficácia, possíveis eventos adversos, cobertura vacinal e custo-efetividade. A UFMT, segundo ele, tem estrutura para liderar novas pesquisas.
A resistência às vacinas é apontada como um desafio. O professor Luciano Teixeira Gomes, coordenador da pesquisa no Centro de Pesquisa de Cuiabá, reforça que a confiança deve vir da ciência. “Nada chega à população sem um processo rigoroso de verificação. Os benefícios da vacina são infinitamente maiores que qualquer possível efeito colateral”, disse.
Ele avalia que o novo imunizante pode reduzir casos graves, hospitalizações e a demanda nos serviços públicos de saúde. “Vacina é prevenção, mas não substitui a vigilância contra o mosquito”, completou.
O ensaio clínico em Cuiabá foi viabilizado por um acordo firmado em 2015 entre o HUJM/UFMT e o Instituto Butantan. Realizado entre 2016 e 2025, o estudo acompanhou cerca de 1.300 voluntários e contou com apoio logístico, participação de docentes pesquisadores, infraestrutura adequada e retaguarda assistencial.