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Pesquisadores da Esalq descobrem chave para combate ao cancro

Publicado em 08 junho 2005

Cientistas comemoram 8 de junho, dia do citricultor, com novidade que pode controlar a praga

Pesquisadores da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq), da Universidade de São Paulo (USP), em parceria com a Universidade da Califórnia (EUA), Universidade Federal de Viçosa, empresa japonesa Fuji Flavor, com o apoio da FAPESP, CNPq e Fundecitrus concluíram a síntese do feromônio sexual do minador dos citros, o facilitador da disseminação do cancro cítrico. Com a descoberta, os cientistas podem agora produzir armadilhas nos pomares. Foram décadas de tentativas feitas por grupos de pesquisas espalhados pelo mundo.
Desde a sua introdução nos pomares brasileiros em 1996, o minador dos citros é visto como um inimigo da citricultura, principalmente, porque facilita a disseminação do cancro cítrico. A praga forma galerias (ferimentos) nas folhas, que se tornam importantes vias de penetração da bactéria Xanthomonas axonopodis, causadora da praga. Esses ferimentos facilitam a infecção em mais plantas e por um tempo maior, o que transformaram as chuvas com vento em importantes fontes de disseminação da doença a longas distâncias. Pode ocorrer também o atraso do desenvolvimento de plantas novas.
No Brasil, o cancro foi constatada pela primeira vez em 1996, no interior de São Paulo, mas não se sabe ao certo como o minador-dos-citros entrou no País
Em 1999, o cancro cítrico chegou a atingir 0,7% dos talhões comerciais do Estado de São Paulo, crescimento atribuído, entre outros fatores, à presença abundante do minador. Atualmente, a incidência de cancro cítrico é de 0,14% dos talhões, redução provocada pelo trabalho de sanidade desenvolvido contra a doença e contra a praga nos últimos anos.

Pesquisa
A idéia inicial é utilizar a tecnologia para monitorar a praga e saber o momento ideal de fazer o controle. Técnica semelhante já é utilizada com sucesso para o bicho furão. Isso porque, com o isolamento e síntese da substância química, os cientistas agora vão poder utilizar o feromônio em armadilhas, para capturar e monitorar o inimigo dentro dos pomares.
As pesquisas conduzidas em países como EUA e Japão, onde a praga tem grande importância, ignoravam o comportamento do inseto e, com isso, não conseguiam amostras da substância.
"Nosso grupo escolheu um caminho diferente dos demais. Investigamos o comportamento sexual do inseto e conseguimos obter informações importantes", disse Maurício Bento, professor da Esalq/USP.
 "Foi por causa da escolha que conseguimos conhecer quem produzia o feromônio sexual (que, no caso, são as fêmeas), a idade em que isso ocorre (durante o primeiro e o segundo dia de vida) e o horário de acasalamento (uma hora antes até 30 minutos depois do amanhecer)", explicou Bento.
Segundo ele, todas as etapas são fundamentais para a obtenção do feromônio sexual.  "O feromônio é específico de cada praga, o que o torna altamente interessante do ponto de vista de manejo", disse Bento.
O sucesso do resultado veio depois da extração de 5 mil glândulas de fêmeas virgens. Com essa nova arma, a expectativa é conseguir barrar o cancro cítrico, mal que devasta as plantações dos citricultores e que está presente em todo o mundo, causando, por ano, milhões de dólares de prejuízos.
A pesquisa completa e a utilidade da descoberta no campo serão apresentadas na sexta-feira, dia 10, durante a 27ª  Semana da Citricultura, que está acontecendo no município de Cordeirópolis. Participam os pesquisadores da Esalq/USP José Roberto Postalli Parra, Ana Lia Parra Pedrazzoli e José Maurício Bento, o pesquisador Walter Soares Leal, da Universidade da Califórnia, e o pesquisador Evaldo Vilela, da Universidade Federal de Viçosa.(Agências e assessoria de imprensa)