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Pesquisadores da Epicovid criticam apoio do Ministério da Saúde a outro estudo sobre prevalência do coronavírus

Publicado em 06 maio 2021

Por Iarema Soares

Enquanto divulgava os dados da mais recente rodada da Epicovid, na semana passada, Pedro Hallall, o coordenador do estudo epidemiológico que analisa a prevalência do coronavírus no Estado, afirmou que uma nova fase do levantamento dependia de financiamento para acontecer. Foi por isso que os cientistas da Epicovid – que é liderada pela Universidade Federal de Pelotas (UFPel)– se mostraram surpresos com um anúncio realizado na quarta-feira (5) pelo Ministério da Saúde (MS). Com um investimento de R$ 200 milhões, a pasta informou o lançamento da Pesquisa de Prevalência de Infecção por Covid-19 (PrevCov) no Brasil.

A PrevCov tem o apoio do Conselho Nacional de Secretários de Saúde (Conass), Conselho Nacional de Secretarias Municipais de Saúde( Conasems), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) e da Organização Pan-Americana de Saúde (Opas).

Os coordenadores da Epicovid apontam que nem o Ministério da Saúde, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) ou a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) fizeram contato com a equipe liderada por Hallal. Em nota, os cientistas do estudo afirmam “lamentar que, por questões políticas, a apresentação da relevante proposta de realização do PrevCov tenha deixado de reconhecer os esforços realizados por centenas de pesquisadores brasileiros”. Além disso, criticaram a postura do ministério frente à pandemia ao dizerem que a pasta “poderia ter salvado a vida de milhares de brasileiros que morreram em consequência da resposta desastrosa do Brasil à pandemia de coronavírus”.

A reportagem contatou o Ministério da Saúde, mas não obteve retorno até o fechamento desta matéria.

A Epicovid foi pioneira e é o mais duradouro estudo epidemiológico sobre a pandemia no Brasil. Em nível nacional, três fases da pesquisa – entre maio e junho passado – foram feitas com financiamento do ministério. Porém, em julho de 2020, o então responsável pela pasta, Eduardo Pazuello, informou que o financiamento não seria mantido. A partir da quarta rodada, a Epicovid foi conduzida com financiamento da ONG Todos pela Saúde. Já em 2021, a quinta fase do levantamento foi financiada pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp). No total, foram entrevistados e testados 245 mil brasileiros. De acordo com os coordenadores do estudo, o custo das cinco fases do projeto foi de R$ 40 milhões, sendo R$ 12 milhões do orçamento do ministério.

No Rio Grande do Sul, a primeira etapa teve início duas semanas após a primeira morte por covid-19 no Estado. Até o momento, foram concluídas 10 fases, entre abril de 2020 e abril de 2021, e foram entrevistados e testados 45 mil gaúchos. No Rio Grande do Sul, a pesquisa conta com apoio estatal, do setor privado e é realizada em parceria com outras 12 universidades gaúchas, além da UFPel. O custo total das 10 fases do projeto foi de R$ 5 milhões.