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Pesquisadores criam primeiro coração artificial brasileiro

Publicado em 17 agosto 2013

São Paulo. Pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP) e do Instituto Dante Pazzanese de Cardiologia desenvolveram o primeiro protótipo brasileiro de coração artificial totalmente implantável. O dispositivo é indicado para pacientes com insuficiência cardíaca, problema que afeta cerca de 6,5 milhões de pessoas no país e mata em torno de 25 mil todos os anos, segundo dados da Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC). As informações são da agência de notícias da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp).O objetivo do equipamento, que ainda não foi testado em humanos, não é substituir o coração, mas auxiliá-lo no bombeamento de sangue enquanto o paciente aguarda um órgão para transplante. Os primeiros experimentos realizados com bezerros apresentaram bons resultados.

“Em países desenvolvidos já existem modelos de coração artificial totalmente implantáveis, mas o custo de importação é elevado – mais de R$ 200 mil – e poucos têm acesso. Nossa ideia é desenvolver uma versão nacional que custe em torno de R$ 10 mil”, contou José Roberto Cardoso, diretor da Escola Politécnica (Poli) da USP e coordenador da pesquisa, financiada pela Fapesp.

Segundo Cardoso, há outros modelos de coração artificial desenvolvidos no Brasil, no Instituto do Coração (Incor) da USP e até mesmo no próprio Dante Pazzanese. Mas são todos equipamentos extracorpóreos. Nesses casos, tubos saem do corpo do paciente e ficam ligados a uma maleta, onde estão a bomba e a bateria.

“O paciente precisa carregar essa maleta para todo lado, e o equipamento fica em contato com o ambiente. Além do incômodo, o grande problema é o risco de infecção”, alerta.

Projeto. O novo protótipo implantável começou a ser desenvolvido em 2006. A bomba foi feita no Departamento de Engenharia Mecatrônica da Poli, e os motores elétricos e os circuitos que controlam seu funcionamento foram criados no Laboratório de Eletromagnetismo Aplicado, coordenado por Cardoso.

A vantagem, segundo o pesquisador, é que a bomba radial funciona com uma rotação menor. Além de diminuir o ruído – algo importante a se considerar em um dispositivo que fica dentro do corpo –, a agressão ao sangue durante o bombeamento também é menor.