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O Imparcial (Presidente Prudente, SP)

Pesquisadores comprovam propriedades da arnica

Publicado em 21 junho 2001

Pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP) em Ribeirão Preto, com apoio da FAPESP, comprovaram as propriedades analgésicas e antiinflamatórias da arnica brasileira, que começou a ser usada no século 18 por imigrantes italianos e hoje é vulnerável em conseqüência da extração indiscriminada e destruição dos ambientes naturais da planta. O estudo, coordenado pelo pesquisador Norberto Peporine Lopes, pretende indicar como desenvolver fitoterápicos a custos baixos e com a menor quantidade possível de efeitos colaterais. Entre mais de 50 substâncias encontradas na arnica brasileira, duas mostraram resultados satisfatórios: um antiinflamatório derivado do ácido quínico, encontrado no tecido interno das folhas, e a lignana cubebina, presente nas raízes, com potente atividade analgésica. A pesquisa envolveu tanto o aperfeiçoamento de métodos de extração e purificação dos princípios ativos e teste de cultura de tecidos da planta in vitro, como técnicas de germinação das sementes. Uma das descobertas, por exemplo, revelou que a planta só cresce em interação simbiótica com os chamados fungos micorrízicos arbusculares, informação importante para o cultivo comercial da arnica. A equipe de pesquisadores da USP está atenta também a uma questão estratégica nesses estudos farmacotécnicos: o patenteamento dos resultados. GRUPO DA UNESP PRODUZ ATLAS DE TRÊS CIDADES PAULISTAS Limeira, Rio Claro e Ipeúna foram as três cidades do interior paulista escolhidas pelo Grupo de Desenvolvimento de Materiais Didáticos (GDMD), do Instituto de Biociências da Universidade Estadual Paulista (Unesp) em Rio Claro, para a elaboração de atlas municipais. A equipe do projeto foi coordenada pela professora Rosângela Doin de Almeida e reuniu dez professores do ensino fundamental das áreas de História, Geografia e Ciências no período de março de 1997 a maio de 1999. A FAPESP apoiou o projeto no âmbito do Programa de Apoio à Melhoria do Ensino Público, com bolsas de estudo e recursos para a aquisição de três microcomputadores, uma impressora, um scanner e outros materiais de consumo. O trabalho resultou em três volumes cartográficos com a localização dos municípios no país e no mundo, divisão político-administrativa, rede viária, bairros e setores da área urbana, núcleos rurais, sítios arqueológicos, ocupação e povoamento, perfil da cidade em outros tempos, expansão urbana, bacias hidrográficas, gestão de recursos hídricos e saneamento básico. Os professores buscaram dados e informações em fontes originais, atualizando mapas já existentes ou criando novos materiais didáticos adequados a crianças de 9 a 13 anos. Mais de 500 alunos de terceiras a sextas séries participaram do projeto. FEBRE AMARELA E MALÁRIA PODEM AVANÇAR NO SUDESTE Estudos da Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo estão estimando o risco de epidemias de febre amarela urbana e malária na região Sudeste do país. Os pesquisadores focalizam a capacidade de adaptação ao ambiente humano de insetos potencialmente vetores (transmissores) dessas doenças tropicais, que ainda representam perigo para a saúde pública brasileira. Os especialistas também verificam o risco de uma cidade atingida pela dengue ser novamente alvo da febre amarela urbana. Para isso, avaliam a população de mosquitos, taxa de picadas e viremia - período do risco de uma pessoa infectada poder transmitir a doença. A equipe trabalha com insetos da família dos culicídeos (Culicidae), como os mosquitos Aedes aegypti, da dengue e da febre amarela urbana. Anopheles albitarsis, da malária e Culex nigripalpus, de um tipo de encefalite ornitológica. O trabalho tem financiamento da FAPESP e é coordenado pelo epidemiologista Oswaldo Paulo Forattini, do Núcleo de Pesquisa Taxonômica e Sistemática em Entomologia Médica da Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo (USP). Há dez anos o pesquisador estuda a adaptação de insetos vetores às condições ambientais criadas pela interferência humana, fenômeno chamado sinantropia ou domiciliação. Esses trabalhos alertam sobre a provável volta de doenças tropicais como a febre amarela urbana, que assolou o país no começo do século 20 até ser considerada erradicada em 1942, e a malária, doença também endêmica até a primeira metade do século 20.