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Tribuna1

Pesquisadores buscam solução ao armazenamento de energia para elétricos

Publicado em 29 maio 2020

Centro de pesquisa com sede na Unicamp conta com o apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo

Baterias e supercapacitores são tecnologias de armazenamento de energia complementares. As baterias são mais apropriadas quando se considera a quantidade total de energia armazenada, e os supercapacitores, quando o que importa é a potência, isto é, quanta carga ou descarga de energia pode ocorrer por unidade de tempo.

Ao considerar essa complementaridade, a Divisão para Armazenamento de Energia Avançado do Center for Innovation New Energies (CINE) – um Centro de Pesquisa em Engenharia (CPE) constituído pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) e Shell, com sede na Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) –, trabalha nas duas frentes, com o objetivo de melhorar as tecnologias: de supercapacitores que armazenem mais energia a baterias que recarreguem mais rapidamente e tenham vida mais longa.

Dois artigos publicados recentemente pelo grupo ilustram essa realidade. “No primeiro estudo, mostramos que é fundamental a funcionalização de superfície para melhorar as características das baterias. Relatamos um novo eletrodo para bateria de lítio-oxigênio (Li-O2) baseado em nanotubos de carbono de paredes múltiplas, funcionalizados por pré-tratamentos, o que levou a locais ativos mais eficazes.”, diz Gustavo Doubek à Agência Fapesp.

Doubek é um dos pesquisadores associados da Divisão para Armazenamento de Energia Avançado do CINE. Mais conhecida por meio da sigla AES, formada pelas iniciais da expressão em língua inglesa Advanced Energy Storage, a divisão é liderada por Rubens Maciel Filho, professor titular da Unicamp e um dos coordenadores do Programa Fapesp de Pesquisa em Bioenergia (BIOEN).

Metodologia

No primeiro artigo, os pesquisadores mostraram que é possível fazer uso da elevada área superficial dos nanotubos de carbono, com excelente estabilidade eletroquímica, para adsorção de O2 e formação de LiO e LiO2, agentes fundamentais para armazenamento de carga em baterias de Li-O2.

“O segundo artigo trata de ‘pseudocapacitores’, que são capacitores que utilizam vantagens de processos faradaicos como as baterias”, afirma Hudson Zanin, pesquisador da AES à Agência Fapesp. Vale lembrar que processos faradaicos são aqueles que envolvem a transferência direta de elétrons, mediante reação de oxidação em um dos eletrodos e reação de redução no outro.