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Pesquisadores brasileiros utilizam células-troncos para recuperar áreas cerebrais danificadas por AVC

Publicado em 31 janeiro 2019

Pesquisadores brasileiros descobriram que células-troncos podem contribuir para a recuperação de áreas do cérebro danificadas por acidentes vasculares cerebrais (AVC) isquêmicos, que acontecem quando uma veia do cérebro é bloqueada (trombo) e os neurônios da parte que deixa de ser irrigada morrem. O acidente pode causar sequelas graves, como perda de movimentos, fala e até mesmo levar a óbito.

Para chegar ao resultado, extraíram-se da medula óssea de camundongos células-tronco mesenquimais, responsáveis por originar tecidos. Segundo a revista Exame, os organismos foram acoplados em um suporte feito de um material que, não só permitiu a sobrevivência e a multiplicação das células, como impediu que migrassem para outras regiões do cérebro, como é comum ocorrer quando implantadas diretamente na lesão. Há dois procedimentos conhecidos pela comunidade médica para tratar pacientes pós-AVC: a terapia de recanalização intravascular (trombólise), em que é aplicado um medicamento ativador de plasminogênio (rtPA) que desfaz o trombo, e o cateterismo, que faz a desobstrução mecânica do vaso para que o sangue volte a circular.

Entretanto, ambos os tratamentos só têm eficácia se aplicadas em até quatro horas e meia após o AVC; após esse período, é impossível reverter a morte celular. A novidade com a técnica recém descoberta é que é que, a partir dela, é possível viabilizar o tratamento mesmo depois esse período. O artigo, publicado na Nanomedicine: Nanotechnology, Biology, and Medicine, é parte do doutorado com Bolsa da FAPESP na Escola Paulista de Medicina da Universidade Federal de São Paulo (EPM-Unifesp) da primeira autora do estudo Laura Zamproni e contou com o apoio de dois engenheiros da Universidade Brasil.

Histórico

Cientistas já tentaram fazer esse mesmo experimento anteriormente, porém, nos testes, quando as células-tronco eram implantadas diretamente na lesão, quase nenhuma sobrevivia (0,0005%) e as que conseguiam seguir, migravam para outras regiões do cérebro. Quando injetadas na corrente sanguínea, ficavam retidas nos rins ou nos pulmões dos camundongos. O que permitiu o sucesso da experiência de Zamproni foi o material utilizado, que além de ser biocompatível (não tóxico), aumenta a sobrevivência das células-tronco e faz com que elas permaneçam na área da lesão, diminuindo a inflamação. Depois de alguns meses, com a área em grande parte recuperada, o material é totalmente absorvido pelo corpo. Os pesquisadores agora pretendem testar a técnica com células-tronco em traumatismo crânio-encefálico, em que há perda de parte do cérebro. Para isso, irão recriar a parte perdida do cérebro por meio da de uma impressora 3d.