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Pesquisadores brasileiros desenvolveram uma saliva artificial a partir da cana-de-açúcar (135 notícias)

Publicado em 29 de janeiro de 2026

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Para muitos pacientes tratados contra câncer de cabeça e pescoço, o fim da radioterapia não significa o fim dos problemas. A perda permanente da saliva transforma a rotina, afeta a alimentação e abre caminho para cáries severas e difíceis de controlar. Agora, uma pesquisa brasileira apresenta uma alternativa promissora, baseada em uma proteína pouco conhecida, capaz de imitar uma função essencial da saliva natural e proteger o esmalte dentário.

Quando a radioterapia afeta muito além do tumor

A radioterapia é uma ferramenta fundamental no tratamento de tumores na região da cabeça e do pescoço, mas seus efeitos colaterais podem ser profundos. Ao atingir as glândulas salivares, o tratamento compromete ou até elimina a produção de saliva, elemento central para o equilíbrio da saúde bucal.

Sem saliva, a boca perde sua principal defesa contra bactérias e ácidos. O resultado costuma ser o surgimento de cáries agressivas, inflamações, feridas persistentes e uma sensação constante de boca seca, conhecida como xerostomia. Apesar de existirem produtos que aliviam o desconforto, até hoje não havia uma solução específica voltada à prevenção dessas cáries severas.

É nesse ponto que entra uma nova proposta desenvolvida por pesquisadores brasileiros.

Uma proteína da cana que age como escudo dentário

A inovação gira em torno da CaneCPI-5, uma proteína extraída da cana-de-açúcar e modificada em laboratório. Aplicada na forma de um enxaguante bucal que funciona como saliva artificial, a substância demonstrou a capacidade de formar uma camada protetora sobre o esmalte dos dentes.

Essa película atua como um escudo químico, tornando o esmalte mais resistente à ação de ácidos presentes em bebidas, alimentos e até no próprio organismo. Ao reforçar essa superfície, a CaneCPI-5 reduz o processo de desmineralização — quando cálcio e fosfato são perdidos, deixando o dente mais vulnerável às cáries.

Os resultados iniciais indicam que a proteção não é apenas mecânica, mas também biológica, interferindo na ação das bactérias responsáveis pela deterioração dentária.

Resultados promissores em testes laboratoriais

Os experimentos foram conduzidos por uma equipe da Faculdade de Odontologia de Bauru da Universidade de São Paulo, em colaboração com instituições brasileiras e internacionais. Durante os testes, a solução com CaneCPI-5 foi aplicada diariamente, por um minuto, em fragmentos dentários de origem animal.

Mesmo nesse modelo experimental, os efeitos foram claros. O esmalte apresentou maior resistência aos ataques ácidos e menor perda mineral em comparação a superfícies não tratadas. Segundo os pesquisadores, isso abre caminho para estudos clínicos futuros, voltados diretamente a pacientes humanos.

Um detalhe importante é que o efeito da proteína se mostrou ainda mais potente quando combinada com flúor e xilitol, substâncias já conhecidas na odontologia. Juntas, elas reduziram significativamente a atividade bacteriana e o avanço da desmineralização.

Um novo conceito no tratamento da boca seca

A proposta vai além de apenas substituir a saliva perdida. De acordo com os pesquisadores, este é o primeiro produto desenvolvido com base no conceito da “película adquirida”, uma camada de proteínas que se forma naturalmente sobre os dentes logo após a escovação ou a alimentação.

A ideia foi reformular essa película de forma estratégica, usando uma proteína capaz de se ligar diretamente ao esmalte e modificar sua resistência química. Em vez de apenas hidratar a boca, a saliva artificial passa a exercer uma função ativa de proteção.

Esse conceito representa uma mudança importante na forma como a xerostomia pode ser tratada no futuro, especialmente em casos em que a perda da saliva é permanente.

Impacto direto para pacientes oncológicos

A relevância clínica da descoberta é grande. Pacientes que passam por radioterapia na região da boca frequentemente enfrentam danos dentários rápidos e difíceis de conter. Em muitos casos, o uso de saliva artificial precisa ser contínuo ao longo da vida.

Além de reduzir a sensação de boca seca, a nova formulação pode auxiliar na cicatrização de feridas e no controle de bactérias, diminuindo complicações que afetam a qualidade de vida desses pacientes. O fato de não existir hoje um produto específico para prevenir as cáries pós-radioterapia torna a inovação ainda mais significativa.

O pedido de patente da CaneCPI-5 já foi registrado, e o desafio agora é viabilizar a produção em larga escala.

Diferentes formatos e aplicações futuras

Os pesquisadores já testaram a proteína em diferentes apresentações, como enxaguante bucal, gel e filme orodispersível — uma película fina que se dissolve na língua e libera a substância aos poucos. Em todos os formatos, os resultados foram considerados positivos.

Além da aplicação odontológica, a CaneCPI-5 também vem sendo estudada em pesquisas sobre periodontite e cicatrização de feridas. Ensaios iniciais indicaram redução da inflamação e estímulo a processos essenciais para a regeneração dos tecidos.

Há ainda investigações em andamento que combinam a proteína com outras moléculas, como derivados da estaterina e vitamina E, para ampliar sua eficácia e facilitar o uso doméstico.

Da genética da cana à saúde bucal

A origem da CaneCPI-5 remonta ao Projeto Genoma da Cana-de-Açúcar, financiado pela FAPESP. A partir desse mapeamento genético, pesquisadores identificaram proteínas com propriedades incomuns, incluindo uma forte capacidade de aderir a superfícies lisas.

Essa característica despertou o interesse de odontólogos, que passaram a investigar sua interação com o esmalte dentário. O resultado é um exemplo claro de como a pesquisa básica em genética pode gerar aplicações práticas inesperadas na área da saúde.

Agora, o foco é entender como potencializar ainda mais a ação da CaneCPI-5 e avaliar seu papel no combate a diferentes tipos de agressão química na cavidade bucal.