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Extra (Rio de Janeiro, RJ) online

Pesquisadores brasileiros desenvolvem remédio para câncer com saliva de carrapato

Publicado em 08 julho 2013

Por Duilo Victor

RIO- Uma proteína da saliva do carrapato-estrela, inseto comum nas áreas rurais do Brasil, conseguiu reduzir tumores de pâncreas cultivados em laboratório, um dos tipos de câncer mais letais em humanos.

O experimento, comandado por pesquisadores do Instituto Butantan, de São Paulo, foi bem sucedido também para tumores de pele e nos rins, inclusive em testes feitos com camundongos. O desenvolvimento do medicamento tem que passar ainda pelo teste clínico em humanos, mas cria grande expectativa para a descoberta de um tratamento do câncer de pâncreas com remédios, algo ainda possível apenas por meio de cirurgia. Tumores no órgão matam em 100% dos casos em que o bisturi não tem como ser usado.

- A saliva do carrapato possui propriedades tóxicas para células tumorais, sem oferecer risco para as células saudáveis - declarou a coordenadora do estudo, Ana Marisa Chudzinski-Tavassi, em comunicado divulgado pelo instituto. - Resolvemos testar a proteína tanto em cultura de células normais quanto em cultura de células tumorais. E a surpresa foi muito grande, porque a proteína, visualmente, não fez nada nas células normais mas matou as células tumorais

De acordo com a pesquisa, animais que passaram por um tratamento de 180 dias no laboratório não tiveram recidiva, termo médico para dizer que o tumor não voltou a crescer.

Os cientistas do Butantan vasculharam o genoma do carrapato (Amblyoma cajennense), o mesmo que é capaz de transmitir a febre maculosa. O estudo, que começou em 2003, foi patrocinado inicialmente pela Fundação de Amparo e Pesquisa de São Paulo (Fapesp) e atualmente também é financiado pela União Química Indústria Farmacêutica, detentora da patente do remédio e uma das dez maiores produtoras de medicamentos do país.

Os testes pré-clínicos, para saber as reações em humanos do medicamento biotecnológico, serão financiados pelo BNDES, que dispôs de R$ 15,2 milhões para esta fase da pesquisa por meio de seu Fundo Tecnológico (Funtec).

Segundo dados do Instituto Nacional do Câncer (INCA), o câncer de pâncreas representa 2% de todos os tipos, sendo responsável por mais de nove mil novos casos anualmente. Dos pacientes que desenvolvem a doença, 75% morrem ainda no primeiro ano de tratamento. Cinco anos após a detecção do tumor, a taxa de mortalidade sobe para 94%.

O Globo