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Pesquisadores brasileiros anunciam testes de vacinas para AIDS

Publicado em 12 agosto 2013

Por Isabella Amaral

Na última segunda-feira (9), um grupo de pesquisadores apoiados pela Fapesp anunciou que começará a testar a vacina contra a AIDS em macacos. Se essa fase der certo, a próxima etapa será testes com humanos. O Brasil é referência nesse tipo de pesquisa científica, a maior pesquisa do mundo para tratamento do vírus HIV funciona em um hospital público de São Paulo.

A vacina foi desenvolvida e patenteada pelos pesquisadores da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP), Edecio Cunha Neto, Jorge Kalil e Simone Fonseca. Hoje, o projeto é conduzido no Instituto de Investigação em Imunologia como parte de um programa do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) e recebe apoio da Fapesp no Estado de São Paulo.

Segundo os cientistas responsáveis, a vacina não eliminaria totalmente o vírus do organismo, em seu estágio atual de desenvolvimento, mas manteria a carga viral reduzida a ponto de a pessoa infectada não desenvolver a imunodeficiência e, consequentemente, não transmitir o vírus.

O grupo trabalha nessa vacina há mais de uma década. Em 2001, um dos pesquisadores observou que um grupo especial de portadores do vírus mantinha o HIV sob controle por mais tempo e demorava mais para adoecer. Ao analisar o sistema imunológico dessas pessoas percebeu que a quantidade de linfócitos T do tipo CD4 – o principal alvo do HIV – permanecia mais elevada que o normal.

Em seguida, os pesquisadores isolaram os pedaços de proteínas das áreas mais preservadas do vírus HIV. Com auxílio de um programa de computador, selecionaram os peptídeos que tinham mais chances de serem reconhecidos pelos linfócitos T-CD4.. Os 18 peptídeos escolhidos foram recriados em laboratório e codificados dentro de uma molécula circular de DNA.

A primeira etapa de testes in vitro revelou que em mais de 90% dos casos, pelo menos um dos peptídeos foi reconhecido pelas células T-CD4. Em 40% dos casos, mais de cinco peptídeos foram identificados. Quatro anos depois de estes resultados serem publicados, os pesquisadores começaram a fazer testes em camundongos.

A última etapa de testes pré-clínicos, será realizada durante dois anos na colônia de macacos Rhesus do Instituto Butantan em uma parceria que envolve as pesquisadoras Susan Ribeiro, Elizabeth Valentini e Vania Mattaraia. A vantagem de fazer testes em primatas é sua semelhança com o sistema imunológico humano, além do fato de eles serem suscetíveis ao SIV, vírus que deu origem ao HIV.

Cuba

Em 05 de março de 2012, o coordenador do setor de desenvolvimento de vacinas do Centro de Biotecnologia e Engenharia Genética de Cuba, Enrique Iglesias, declarou que os pesquisadores cubanos estavam trabalhando em uma vacina para AIDS que seria testada em humanos em breve.

O país é referência no tratamento da doença, gasta por ano mais de US$200 milhões em programas de prevenção a AIDS. É também líder na área médica no mundo todo. A medicina preventiva, por exemplo, garante à ilha a menor taxa de mortalidade infantil da América e do Terceiro Mundo – inferior à do Canadá e dos Estados Unidos. Além disso, a expectativa de vida dos cubanos se compara a de nações desenvolvidas, 78,8 anos.

A Organização Mundial da Saúde considera Cuba a nação melhor dotada do mundo neste setor. O país tem uma média de um médico a cada 148 habitantes e cobertura integral das regiões.

Além disso, os médicos de Cuba tem uma presença forte no exterior, principalmente em missões médicas humanitárias nas regiões mais pobres. A primeira aconteceu em 1963, com o envio de profissionais à Argélia. Cerca de 132 mil médicos e outros profissionais da saúde cubanos trabalham voluntariamente em 102 países.

França

Em janeiro deste ano, médicos franceses começaram a testar uma vacina para o HIV em humanos. Os testes aconteceram em Marselha, no sul da França, com 48 voluntários. Esta vacina tenta reverter a ação da proteína Tat (transativador de transcrição viral), que protege as células infectadas que organismo não consegue nem reconhecer, nem neutralizar.

O País possui uma parceria com o Brasil, desde 1990: o Programa de Cooperação Técnica e Científica Brasil-França. O programa já levou à França diversos profissionais brasileiros das áreas da biomédica, das ciências humanas e da enfermagem. Além disso, são organizados seminários em temáticas definidas pelos contornos da epidemia da AIDS. A cooperação com a França é a mais antiga que o Brasil desenvolve na área de HIV/aids.