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UNICAMP - Universidade Estadual de Campinas

Pesquisadores associados ao Cenapad contarão com poder computacional 20 vezes maior

Publicado em 23 fevereiro 2010

Pesquisadores de todo o país que utilizam o sistema do Centro Nacional de Processamento de Alto Desempenho (Cenapad) de São Paulo, sediado na Unicamp, vão contar com uma capacidade computacional entre 15 e 20 vezes maior a partir do segundo semestre deste ano. "É um projeto de 1,35 milhão de dólares, financiado pela Fapesp, visando melhorias na infraestrutura e aquisição de um equipamento com desempenho teórico mínimo de 20 teraflops, contra o 1.5 teraflop atual", afirma o professor Edison Zacarias da Silva, coordenador do Cenapad-SP. A medida de 1 Tflop equivale a um trilhão de operações por segundo.

A computação de alto desempenho vem permeando quase todas as áreas da ciência no enfrentamento de desafios como a hidrodinâmica aplicada, projetos de aviões, modelagem global do ambiente, simulações de ecossistemas, previsões meteorológicas, processamento de imagens médicas digitais, biologia molecular, projetos de novas moléculas e medicamentos, otimização de processos em larga escala e nanociência.

Criado em 1994, o Cenapad-SP funciona no âmbito da Pró-Reitoria de Pesquisa (PRP) da Unicamp e está aberto a todas as instituições brasileiras, possuindo pesquisadores associados do Amapá ao Rio Grande do Sul. Ele é um dos oito centros que compõem o denominado Sistema Nacional de Processamento de Alto Desempenho (Sinapad), implantado pelo Ministério da Ciência e Tecnologia (MCT), por meio da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep).

Segundo Zacarias da Silva, esse sistema cooperativo e geograficamente distribuído para assegurar cobertura nacional, foi concebido com o propósito de elevar a competitividade do país ao facilitar o aproveitamento da tecnologia de alto desempenho. "Utilizamos computadores IBM por dez anos, até que o fluxo de recursos do governo federal passou a diminuir. Em 2005, através do Projeto Multiusuário da Fapesp, adquirimos um equipamento que possibilitou quintuplicar nosso poder computacional".

O coordenador explica que esta injeção de recursos pela agência de fomento paulista permitiu a revitalização do Cenapad-SP, enquanto os outros centros conseguiram atualizar seus equipamentos apenas no ano passado. "Foi um período em que nossos usuários puderam trabalhar mais e melhor, apresentando uma produção científica bastante significativa, que superou 200 publicações em revistas internacionais de prestígio. Desde sua criação, esse centro viabilizou aproximadamente 400 projetos, sendo que no momento 132 estão ativos, com 323 usuários trabalhando".

Foi esta produção que levou Zacarias da Silva a apresentar novo projeto à Fapesp, aprovado no final de 2009. "Os equipamentos de computação depreciam muito rapidamente. Por vezes, devido à demanda por velocidade e ao número de usuários, há espera de alguns dias na fila pelo cálculo, o que é desagradável, pois prejudica o ritmo de trabalho. Com esse aumento da capacidade computacional, os pesquisadores poderão sonhar mais alto em seus projetos".

De acordo com o coordenador do Cenapad-SP, é possível que o novo equipamento seja mais poderoso que o previsto. "Solicitamos o financiamento com base em uma máquina de um ano atrás e que seria capaz de melhorar o desempenho em torno de vinte vezes. Agora, com a chamada aos fornecedores, poderemos reavaliar o que há de melhor no mercado, sempre considerando o perfil dos nossos usuários. Esperamos iniciar o projeto em julho ou agosto".

Zacarias da Silva acrescenta que a implantação desse tipo de projeto não é algo trivial, já que exige também a ampliação do espaço físico para as máquinas (de 80m2 para 100m2) e sistema de refrigeração, gerador de eletricidade e nobreak novos. "Como compartilhamos o prédio com o Centro de Computação [CCUEC], todas as melhorias para receber novas máquinas são pensadas e realizadas conjuntamente pelas duas unidades".

Conforme o coordenador, o acesso ao sistema do Cenapad é feito remotamente, havendo uma maioria de pesquisadores de física e química - englobando sobretudo a nanociência, que está na fronteira dessas duas áreas do conhecimento. "Também temos pesquisadores das engenharias, biologia, medicina, enfim, de todos que dependem basicamente de simulações computacionais, o que envolve processamento de alto desempenho".