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Pesquisadores apresentam propostas para enfrentar mudanças climáticas

Publicado em 30 novembro 2015

Cientistas brasileiros e estrangeiros divulgam amanhã, no auditório da Associação Comercial de Santos (ACS), propostas de ações a serem executadas para minimizar impactos das mudanças climáticas na cidade. As sugestões compõem a segunda etapa do Projeto Metropole, sobre a elevação da maré no mundo iniciada há dois anos em Broward (EUA), Selsey (Inglaterra) e em Santos, a única cidade da América Latina incluída nas projeções. A pesquisa é financiada pela Fapesp no Brasil e teve o apoio da Prefeitura.

No Brasil, o estudo envolve pesquisadores do Cemaden, Inpe, Unicamp, USP, Instituto Geológico de SP e engenheiros da prefeitura. Na primeira etapa, eles coletaram dados sobre maré e efeitos de mudanças climáticas previstos até 2100, apresentaram os resultados a representantes da sociedade civil e coletaram sugestões de adaptação que foram processadas nos EUA, visando avaliar viabilidade técnica, econômica e social das medidas.

Do encontro, saíram sugestões como implantação de comportas para controle de marés em rios, canais de drenagem, preservação do mangue, engordamento de praias (aumento artificial da faixa de areia), construção de quebra-mar na orla, entre outros.

Cientistas são unânimes em dizer que nenhuma área da cidade ficará inundada permanentemente, porém o cenário de mudanças exige mobilização da população e do poder público. O Projeto Metropole traçou dois níveis de impacto em Santos. As previsões mínima, mediana para 2050 são de 18 e 23 cm, respectivamente. Para 2100, as projeções são de 36 e 45 cm.

A Prefeitura de Santos apoia o projeto e vai criar um grupo com representantes da sociedade civil e do poder público para discutir e propor programas a serem desenvolvidos pela administração.

Santos foi escolhida pelos cientistas por manter preservados arquivos históricos de elevação da maré e por já ter sido objeto de várias pesquisas.

No estudo, pesquisadores tiveram apoio de dois engenheiros da Prefeitura, que repassaram dados oficiais de elevação do mar, impactos na orla e aspectos da drenagem na Zona Noroeste, entre outros. O projeto também coletou dados das secretarias de Finanças, Desenvolvimento Urbano, Meio Ambiente e Segurança.

A pesquisa desenvolvida em Santos pelo Projeto Metropole em Santos foi processada em sistema de última geração, com integração de dados científicos que apontam projeções de impactos em infraestrutura, saúde, perda econômica caso nada seja feito e considera as opções de adaptação sugeridas pela população.

Em Santos, a pesquisa considerou uma possível área impactada em cerca de 2 km² na orla, onde há 34 mil habitantes e 1.400 lotes fiscais. Na Zona Noroeste, considerou cerca de 11 km², onde moram algo em torno de 83 mil pessoas em 20 mil lotes.

Pesquisadores do Projeto Metropole se basearam em dados sobre as mudanças do mar registrados desde 1945 em Santos. As informações foram obtidas por marégrafos que funcionaram daquele ano a 1990 e por satélite de 1993 a 2013.

Baseados nas informações coletadas, os cientistas chegaram à conclusão de que o nível do mar aumentou, em média, 3 milímetros por ano neste século.

No Brasil, participam do projeto: José Marengo, do Centro Nacional de Monitoramento de Desastres Naturais, coordenador; Lucí Hidalgo Nunes, do Instituto de Geociências da Unicamp; Chou Sin Chan, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais; Roberto Greco, do Instituto de Geociências da Unicamp; Joseph Harari, do Instituto Oceanográfico da USP; Celia Regina de Gouveia Souza, do Instituto Geológico de SP; Luiz Aragão, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais; Lincoln Alves de Souza, do Instituto Nacional de Pesquisas; Eduardo Hosokawa, engenheiro da Sedurb e mestrando do Instituto de Geociências da Unicamp; Ernesto Tabuchi, engenheiro da Semam; Fabiano de Araújo Moreira, doutorando do Instituto de Geociências da Unicamp; Graziella Souza Ribeiro Rodrigues, graduanda da Fundação Santo André.