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Agência Gestão CT&I

Pesquisadores apresentam métodos para combater fraudes na ciência

Publicado em 19 julho 2017

Mecanismos capazes de frear fraudes, erros de conduta, manipulação de dados, plágios e metodologias deficitárias na ciência foram apresentadas nesta semana por pesquisadores da Alemanha, Japão e Brasil, em Belo Horizonte (MG). O objetivo foi reunir métodos nacionais e internacionais capazes de combater as fraudes em pesquisas.

No Japão, por exemplo, foi criado um programa inovador de educação que “ensina” como fazer pesquisa com ética e integridade. A adesão ao programa é obrigatória a todos que se candidatam a um financiamento público. Segundo Satoru Ohtake, da Agência Japonesa de Ciência e Tecnologia (JST, na sigla em inglês), outra medida de combate às fraudes foi o desenvolvimento do software “The Lab”, que simula as decisões que precisam ser tomadas no dia a dia de um laboratório.

Ele lembrou que a falha, o erro, faz parte do processo investigativo. “Não tenham medo da falha, tentem. A falha, se feita de um jeito honesto, pode ser boa, pode levar a novos caminhos”, disse ele, encorajando os jovens pesquisadores a encarar os desafios éticos e a promover a ciência que ofereça soluções para a sociedade.

O pesquisador Jens Ried, diretor do Centro de Gestão, Tecnologia e Sociedade da Friedrich-Alexander-Universität (FAU), de Erlangen-Nuremberg, da Alemanha, defendeu a criação e o fortalecimento de comitês éticos nas instituições para que os casos de fraude sejam bem documentados, além de penas e sanções para os que agirem de má fé.

“Para aumentar a ética, precisamos de mais profissionalização, institucionalização e padronização nos métodos de monitoramento na ciência. Também é preciso combinar esforços da comunidade científica, poder público e empresas”, ressaltou Ried, Na Alemanha, disse ele, 69% dos pesquisadores estão empregados na indústria.

Já no Brasil, a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) implantou em 2011 o Código de Boas Práticas em Pesquisa para orientar os pesquisadores e evitar fraudes. “Os tipos de má conduta mais graves que registramos são fabricação, falsificação de dados e plágio”, contou o diretor científico da Fapesp, Carlos Henrique de Brito Cruz.

Quando as denúncias são comprovadas, as informações são publicadas no site da fundação com os nomes dos envolvidos. “Não queremos esconder, é importante que a sociedade saiba dos casos que foram culpados”, justificou Brito. “É preciso trabalhar na educação e prevenção, e suspeitas que precisam de investigação. E, claro, aplicar sanções”, adicionou.

O debate, realizado durante a mesa-redonda “Ética na Ciência”, na 69ª Reunião Anual da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), ocorreu na Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e foi organizado pelo Centro Alemão de Ciência e Inovação - São Paulo (DWIH-SP).

(Agência ABIPTI, com informações do DWIH-SP)