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Pesquisadores analisam o efeito das mudanças climáticas na produção de água no Sistema Cantareira

Publicado em 24 agosto 2021

Por Rodrigo Battazza

Reduzir o impacto da crise climática no território conhecido como Contínuo Cantareira está entre os principais objetivos de um estudo liderado por pesquisadores do IPÊ – Instituto de Pesquisas Ecológicas, com apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) e da Fundação Florestal do Governo do Estado de São Paulo.

A pesquisa busca avaliar como a produção de água na região do Sistema Cantareira tem sido afetada pelas mudanças climáticas. Segundo o Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC), em média, desde a Revolução Industrial, a temperatura no planeta já subiu 1.1ºC, mas nos continentes esse aumento é maior. As consequências desse aquecimento vão desde mudanças do clima, ao aumento de eventos extremos.

“Os resultados da pesquisa vão apoiar o planejamento de ações de adaptação às mudanças climáticas globais, com potencial de aumentar a resiliência do fornecimento de serviços ecossistêmicos, sobretudo água, na região do Sistema Cantareira”, explica o pesquisador do IPÊ Alexandre Uezu, que lidera a pesquisa.

Para isso são necessárias ações locais capazes de tornar a região resiliente, mas também o comprometimento nacional. “A umidade que vem da Amazônia é essencial para abastecer o Centro-Oeste, o Sul e o Sudeste. Boa parte da chuva que chega ao Sistema Cantareira, por exemplo, vem da Floresta Amazônica. Cessar o desmatamento é estratégico para a segurança hídrica do Sudeste, a região mais populosa do país”, alerta Uezu.

CERCA DE 7,6 MILHÕES DE PESSOAS RECEBEM ÁGUA DO SISTEMA CANTAREIRA

O estudo utiliza novas tecnologias de amostragens, como estações de monitoramento online, para coletar informações e simular cenários futuros. Com base no MapBiomas, já foi identificado que o uso do solo foi extremamente alterado ao longo de 34 anos. De 1985 a 2019, a agricultura e pecuária tornaram-se dominantes e cresceram os plantios de eucalipto (em seis vezes) e as áreas urbanas (64% da área foi urbanizada, suprimindo as florestas).

“Todas essas mudanças no uso do solo são preocupantes, tendo em vista a produção de água de um dos maiores sistemas de abastecimento do mundo. Nas esferas local e regional, precisamos de paisagens mais resilientes que garantam segurança hídrica, produtividade no meio rural e o funcionamento adequado dos ecossistemas. Com o estudo, vamos obter informações mais precisas sobre o potencial do manejo de pastagem ecológica, do sistema silvipastoril e dos sistemas agroflorestais, por exemplo, contribuírem nessa direção diante da emergência climática”, destaca Uezu.

A pesquisa tem como área de estudo as Unidades de Conservação do Contínuo Cantareira: APA Bairro Represa da Usina, APA Sistema Cantareira, Floresta Estadual de Guarulhos, Monumento Natural Estadual da Pedra Grande, Parque Estadual Alberto Löfgren, Parque Estadual Cantareira, Parque Estadual Itaberaba e Parque Estadual Itapetinga. “Queremos identificar como essas UCs influenciam na disponibilidade de serviços ecossistêmicos, como a produção de água, inclusive em um período de emergência climática”, afirma Alexandre Uezu.

Também estão contempladas na pesquisa as frentes de sequestro e armazenamento de carbono, dispersão de sementes por aves e mamíferos, além do apoio aos pequenos e médios produtores da região na adaptação às mudanças devido à emergência climática.

O grupo de estudo reúne pesquisadores do Contínuo Cantareira e parceiros do Governing the Atlantic Forest Transition (FAPESP), o projeto de Pesquisa & Desenvolvimento (P&D da CTG Brasil e IPÊ), projeto Água, Energia e Alimento (CNPq), Universidade Federal de São Carlos (UFSCAR – Centro de Ciências da Natureza/CCN/UFSCAR), Universidade Federal de Lavras (Departamento de Administração e Economia e de Ciência do Solo), RainForest Connection e Universidade Estadual Paulista – UNESP/Rio Claro.