Notícia

Secretaria do Meio Ambiente (SP)

Pesquisadora do IG apresenta estudo sobre elevação do nível do mar

Publicado em 05 outubro 2015

Célia Regina de Gouveia Sousa, pesquisadora do Instituto Geológico (IG),  integra um grupo de cientistas internacionais que promoveram um workshop na Associação Comercial de Santos, na quarta-feira, 30 de setembro, com o objetivo de apresentar ao público o projeto de pesquisa “Uma estrutura integrada para analisar tomada de decisão local e capacidade adaptativa para mudança ambiental de grande escala: estudo de caso de comunidades no Brasil, Reino Unido e Estados Unidos”, cuja sigla é METROPOLE.

 

O METROPOLE é financiado pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP) e tem o objetivo de apresentar um estudo detalhado sobre a elevação do nível do mar com previsões até 2100 envolvendo pesquisadores de várias instituições brasileiras (INPE, CEMADEM, USP, UNICAMP, IG/SMA), da americana University of Florida e da inglesa Kings College of  London na análise e projeção desse aumento.

 

O município de Santos foi escolhido para o projeto por ser líder regional em sustentabilidade, por ter uma base de dados de mapeamento georreferenciado bem organizado e apresentar vulnerabilidades costeiras. Outras duas cidades participam do projeto: Condado de Broward (EUA) e Selsey (Inglaterra). O estudo oferece às cidades a possibilidade de se antecipar aos fenômenos naturais previstos. Esta é a primeira vez que o poder público tem em mãos uma pesquisa com nível de detalhamento tão alto de projeção do aumento do nível do mar e variações climáticas. As informações de impactos das mudanças climáticas poderão ser incorporadas nas ações de planejamento local.

 

O coordenador do projeto, Dr. José Marengo, do Centro Nacional de Monitoramento de Desastres Naturais (CEMADEM) e representante do Brasil no painel da ONU sobre mudanças climáticas, ressalta que a pesquisa é um alerta para a população se adaptar aos cenários apresentados, porém, se nada for feito, haverá sérios problemas com a elevação e com a intensidade e as ocorrências das tempestades e ressacas. “Mas a elevação do nível do mar não significa que todas as pessoas ficarão com água na porta de suas casas”, tranquilizou Marengo.

 

A pesquisadora do IG apresentou as áreas de estudo com maior risco de sofrerem impactos com as mudanças climáticas: 2 km² na zona sudeste, onde há cerca de 34 mil habitantes e 1.400 lotes fiscais, e de 11 km² na zona noroeste, onde vivem 83 mil pessoas em 20 mil lotes. Os gráficos foram confeccionados com dados históricos de ressacas e tempestades divulgados em jornais desde 1960. Dados de marégrafos e satélites também foram usados na plataforma COAST (Costal Adaptation to Sea Level Rise Tool), na qual foram elaborados modelos de projeções climáticas para 2050 e 2100, com cenários de aumento de nível do mar associado a tempestades. As previsões mínima, mediana e extrema para 2050 são de 18, 23 ou 30 cm, respectivamente. Para 2100, as projeções são de 36, 45 cm e 1 metro.

 

O workshop foi marcado por duas atividades: durante a manhã, foram distribuídos questionários para balizar as discussões que ocorreram à tarde, quando foram realizadas dinâmicas de grupo com o objetivo de elaborar propostas que serão processadas e analisadas. No próximo dia 1º de dezembro, os resultados serão apresentados ao público, assim como as medidas viáveis de adaptação da cidade e estimativa de custos. Com base nesse estudo, a prefeitura de Santos vai desenvolver um planejamento estratégico nas áreas relacionadas ao projeto.

 

Além da pesquisadora do IG, também estão envolvidos no projeto os cientistas Lucí Hidalgo Nunes (Instituto de Geociências da Unicamp); Roberto Greco (Instituto de Geociências da Unicamp); Joseph Harari (Instituto Oceanográfico da USP); e da Prefeitura de Santos, Ernesto Tabuchi (da Secretaria Municipal do Meio Ambiente) e Eduardo Hosokawa (Secretaria Municipal de Desenvolvimento Urbano).