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Associação Paulista de Jornais

Pesquisadora da Unesp é resgatada após ficar 32 horas perdida em mata

Publicado em 04 fevereiro 2010

Helen Ventura e Raul Marques

Foram encontrados ontem, depois de quase 32 horas desaparecidos, a pesquisadora Clélia Maria Mardegan, de 52 anos, e o motorista Paulo Maiorano, de 64 anos. Eles estavam em uma mata fechada de reserva natural, na fazenda Águas Claras, em Sales, para a última coleta de solo do projeto Biota-Fapesp, que objetiva o mapeamento da vegetação no noroeste paulista. A mata tem 923 alqueires.

Falta de água

Ambos foram encontrados conscientes, mas debilitados por causa da falta de água e de alimento. "Se não encontrassem a gente hoje, não teríamos força até amanhã", disse Clélia, já na ambulância. Eles foram encaminhados para o pronto-socorro de Sales. Segundo informações de uma pesquisadora da Unesp, Andréia Alves Rezende, eles entraram na mata sem equipamentos de localização e mantimentos. "Era uma pesquisa rápida. Não tinham intenção de demorar. Fazemos pesquisas nesta área há quatro anos e isso nunca aconteceu."

Segundo ela, o último contato com os dois teria sido por volta das 4h da madrugada de ontem. "Ela ligou. Disse que estavam muito perdidos e com medo. Mas, até então, não tinham se machucado." O capitão do Corpo de Bombeiros de Rio Preto, Cláudio Perpétuo Cândido, disse que eles se perderam quando tentavam um atalho para voltar à estrada. "Eles fizeram um caminho diferente. Mas a mata é muito fechada." O tenente Luís Antônio Vaserino, da Polícia Ambiental de Catanduva, estava na equipe que encontrou os dois e disse que eles andaram cerca de 1.500 metros além do ponto de coleta.

"Emocionante"

"O fato de eles estarem conscientes facilitou o trabalho." Com o tenente estava o proprietário da fazenda, Adaldio Filho, o primeiro a encontrar Clélia e Paulo. "Foi muito emocionante. A sensação é das melhores possíveis." Cerca de 50 homens, entre Corpo de Bombeiros, Polícia Militar e Ambiental, funcionários da fazenda, além do helicóptero Águia da PM de Bauru e um cão farejador ajudaram nas buscas. As equipes eram de Rio Preto, Novo Horizonte e Catanduva.

Clélia mora em Lins e trabalha na Casa de Agricultura da cidade. Uma vez por semana, vai a Rio Preto com objetivo de coletar folha, solo e galho para a pesquisa de doutorado que desenvolve na Unesp.