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Diário de Uberlândia

Pesquisadora da UFU participa de estudo publicado na Science sobre variante P1 do coronavírus

Publicado em 04 junho 2021

Por DA REDAÇÃO

Publicado na Science, revista da Associação Americana para o Avanço da Ciência, em 21 de maio, um artigo desenvolvido a partir de uma colaboração entre pesquisadores de universidades brasileiras e de outros países analisou a P1, variante brasileira da Covid-19 descoberta em Manaus, no estado do Amazonas. A pesquisa, que investigou a emergência da linhagem P1 e explorou as explicações epidemiológicas para o ressurgimento da doença em Manaus, teve a participação na parte experimental de Giulia Ferreira, doutoranda pelo Programa de Pós Graduação em Imunologia e Parasitologia Aplicadas da Universidade Federal de Uberlândia (PPIPA/UFU).

As amostras positivas de coronavírus provenientes de Manaus passaram por procedimentos de extração de RNA, transcrição reversa, PCR convencional, purificação e sequenciamento. “Através desses experimentos e de análises computacionais pôde-se observar e descrever a circulação da P.1 dentre os pacientes acometidos pela Covid-19 em Manaus”, afirmou a pesquisadora Giulia Ferreira, que faz parte do Laboratório de Virologia da UFU.

O estudo mostrou que a variante P1 provavelmente surgiu em Manaus em meados de novembro de 2020, época que registrou grande número de casos de Covid-19. “Acreditamos que a epidemia generalizada sustentada em Manaus foi um cenário potencial para o surgimento da P1”, explicou a pesquisadora.

Giulia Ferreira esclareceu que, para entender a forma de atuação viral, precisamos compreender sua biologia molecular; nesse caso, entender como é o genoma do SARS-CoV-2 e como ele funciona. E é justamente nesse aspecto que o estudo se foca, no sequenciamento genético viral.

“Com as informações geradas pelo sequenciamento, também conseguimos estimar se as mutações encontradas apresentam alguma característica alarmante e também auxiliam nos estudos sobre a proteção gerada pelas vacinas”, completou.

Diante da disseminação rápida da linhagem P.1, já detectada em mais de 36 países, é importante fazer a chamada vigilância genômica para acompanhar as modificações que o vírus vem desenvolvendo. “Vale lembrar que enquanto o acesso a vacinas eficazes não esteja disponível para todos, as intervenções não farmacêuticas (como a utilização de máscaras e o distanciamento social) devem continuar a desempenhar um papel importante na redução do surgimento de novas variantes”, disse Giulia Ferreira.

O projeto foi iniciativa do Centro Brasil-Reino Unido para Descoberta, Diagnóstico, Genômica e Epidemiologia de Arbovírus (CADDE) e contou com apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), da Medical Research Council (MRC), da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes) e de outras instituições.

 

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