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A Cidade On (Araraquara, SP)

Pesquisadora araraquarense recebe prêmio internacional

Publicado em 10 março 2012

Por Luiza Pellicani

A cirurgiã-dentista araraquarense e doutora em Traumatologia Buco-Maxilo-Facial Thallita Pereira Queiroz recebeu o prêmio Best Poster Presentation (Melhor Apresentação de Pôster, na tradução) durante o 27º Encontro Anual da Academia Americana de Osseointegração, considerado pelos profissionais da área o Oscar da Odontologia.

No encontro realizado no dia 3 de março em Phoenix, no Estado do Arizona, EUA, Thallita apresentou o trabalho intitulado "Influência das modificações nanotopográficas das superfícies de implantes dentários sobre a expressão de proteínas ósseas".

O projeto mostra como o implante dentário feito de titânio fixou-se com um composto químico desenvolvido pelo professor titular Antônio Carlos Guastaldi, do Instituto de Química da Universidade Estadual Paulista (Unesp).

A pesquisa, que ainda não foi experimentada em seres humanos, apenas em animais, é considerada uma inovação, pois deve auxiliar no tratamento de pessoas com diabetes e osteoporose. "Observamos que a camada de osso envolve melhor a prótese com essa composição e essa técnica", diz a pesquisadora, explicando que o processo é chamado ossointegração.

Ela ressalta que o tratamento e a recuperação neste tipo de procedimento são iguais. O que muda é a absorção do osso com o produto pesquisado.

A banca da Best Post Presentation analisou 231 projetos, 40% de universidades americanas. Thallita chegou a concorrer com projetos de instituições renomadas e reconhecidas internacionalmente, como a Universidade de Harvard. Ela não acreditou quando viu seu projeto reconhecido entre os melhores. "Eu e meu marido, que também é da área e pesquisador, sempre participamos de congressos. Decidi inscrever esse projeto, que é uma extensão do que fiz no meu doutorado, mas foi de forma despretensiosa."

A avaliação da pesquisa deu-se entre as palestras do encontro. "Os americanos são tão organizados que ficávamos uma hora e meia à disposição de quem tivesse questionamentos sobre o trabalho. O mais interessante é que não sabíamos quem estava na banca", explica Thallita.

231 projetos foram inscritos na premiação; 40% de instituições norte-americanas, mas o estudo brasileiro foi selecionado pelos especialistas das bancas do evento

Expansão

A pesquisa com implantes continua com os testes em humanos. Na primeira etapa, foram feitos experimentos apenas em cobaias animais

Falta apoio à pesquisa no Brasil

A cirurgiã-dentista Thallita Pereira Queiroz diz que sempre foi estimulada, desde a graduação na Universidade Estadual Paulista (Unesp), a pesquisar. Entretanto, depois de participar de diversos congressos internacionais, consegue perceber o quanto é difícil ser pesquisador no Brasil.

"O que vemos no Exterior é que muitas vezes o pesquisador tem seu projeto bancado por empresas interessadas no desenvolvimento dela e recebe por isso. Aqui, muitas vezes temos de custear nossas pesquisas", conta Thallita, que também é professora do Centro Universitário de Araraquara (Uniara).

A profissional ressalta a importância das instituições que financiam os projetos para o desenvolvimento da ciência no Brasil. "Na minha pesquisa, tive apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), e foi muito imprescindível."

Thallita explica que, apesar das dificuldades, os brasileiros têm se destacado no meio. "Brasileiro é muito criativo, muitas vezes não temos as ferramentas que pesquisadores internacionais têm, mas estamos muito bem capacitados."

O reconhecimento internacional e nacional, além da visibilidade, instiga estudantes a serem pesquisadores. "Ainda são poucos os que se interessam, mas isso vai mudando com o tempo e mais pesquisadores vão entrando no mercado."

Técnica é diferenciada

A pesquisa de implantes dentários para pessoas com osteoporose e diabetes teve o propósito de promover modificações físico-químicas nas superfícies dos aparelhos em escala nanométrica para favorecer interação com o tecido ósseo.

Essas modificações incluíram a irradiação das superfícies por feixe de laser, seguida ou não pela deposição de hidroxiapatitas pelo método biomimético.

Os implantes foram comparados com dois implantes comercialmente disponíveis e tiveram osseointegração (união do implante ao tecido ósseo) em menos tempo.