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Pesquisador questiona números que relacionam desmatamento da Amazônia às mudanças climáticas

Publicado em 22 julho 2009

O diretor do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), Gilberto Câmara criticou os números sobre impactos do desmatamento da Amazônia frente às mudanças climáticas que são aceitos atualmente pelas grandes economias do mundo.  A afirmação foi feita no último dia de atividades da 61ª Reunião Anual da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), na semana passada, em Manaus, e as informações são da Agência Fapesp.

Em reunião no início do mês em L'Aquila, na Itália, o grupo dos sete países mais desenvolvidos e a Rússia (G8) apontou que o desmatamento nas florestas brasileiras é responsável por aproximadamente 20% das emissões anuais de dióxido de carbono (CO2) em todo o mundo.

De acordo com Câmara, na década de 1990, eram desmatados na Amazônia em média 22 mil km², o que representava cerca de 8% das emissões de CO2 do planeta.  Para ele, se o Brasil conseguiu reduzir o desmatamento na região de 27 mil km², em 2004, para a média atual que é de 12 mil km², a devastação da floresta amazônica deve ser responsável atualmente por menos de 5% das emissões globais.

Segundo a Agência Fapesp, o pesquisador acredita que os números aceitos pelo G8 são tendenciosos.  "Quanto mais países como o Brasil responderem pelos prejuízos ambientais, menos os países do G8 serão responsáveis.  A conta de que 20% das emissões de CO2 do mundo vêm do desmatamento pode não ter base científica", explicou.

O diretor do Inpe também questiona a ideia do Brasil de aderir ao REDD (Redução de Emissões por Desmatamento e Degradação florestal, na sigla em inglês), mecanismo pelo qual os países que reduzem suas taxas de desmatamento poderiam vender créditos de carbono para outras nações.  "Mas será que o Brasil deve vender ar?  E, em caso afirmativo, a grande questão é quem deve receber esse dinheiro, os assentados, os fazendeiros ou outras pessoas?", questionou.

De acordo com Câmara, o desmatamento da Amazônia não será reduzido, mesmo que o Brasil aumente o número de áreas de proteção ambiental e sua população demande menos terras.  "Se um assentado recebe uma quantia para não desmatar em determinada região, por exemplo, esse mesmo cidadão poderá simplesmente continuar desmatando em outra área", alertou.

Ele ainda diz que não há muitas garantias de que, após a concessão de dinheiro ao Brasil por meio do REDD o desmatamento irá necessariamente diminuir, já que os causadores de 90% do desmatamento na Amazônia atuam na ilegalidade e não serão cogitados para receber tais recursos sob a condição de não desmatar.