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Pesquisador quer licenciar remédio contra Mal de Chagas

Publicado em 27 março 2005

Por Maisa Infante

Na semana passada, 5 pessoas morreram e dezenas de outras foram contaminadas com o mal de Chagas. A contaminação se deu depois que essas pessoas tomaram garapa (caldo de cana) em quiosques montados em algumas estradas de Santa Catarina. Uma das preocupações do Ministério da Saúde é que muitos turistas tenham sido contaminados e levem a doença para outros estados. Um caso já foi diagnosticado em São Paulo.
Há cinco anos Márcio Andrade e Silva começou a desenvolver uma pesquisa na Unifran (Universidade de Franca) para descobrir uma substância que combatesse o mal de chagas. O trabalho foi financiado pela Fapesp (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo), que hoje detém a patente da substância. A equipe de Márcio trabalhou no isolamento da substância cubebina, retirada da planta Pipper cubeba, encontrada na Índia. Por meio de reações químicas foi feito um derivado sintético que é capaz de matar o protozoário causador da doença. Segundo Márcio, se essa substância fosse injetada na veia ou nos músculos das pessoas contaminadas com chagas em Santa Catarina, diversas mortes poderiam ser evitadas. Mas, para isso, é preciso que algum laboratório se interesse em comprar a patente da droga e fazer os testes clínicos. "Nós já fizemos testes in vitro e também em animais. Agora, falta fazer em humanos. Mas para isso é preciso que um laboratório se interesse", disse. Segundo Márcio, pelo menos um já entrou em contato depois desse surto da doença, mas até agora nada foi confirmado. "Eu tento isso há três anos, mas os laboratórios sempre disseram que a doença estava erradicada no país e por isso não valia a pena o investimento", disse. Hoje, a patente da substância está depositada, além de no Brasil, no Japão, Estados Unidos e Europa. Para Márcio, a maior vantagem desse medicamento é que ele não é tóxico e não possui efeito colateral.

Para pesquisador, Franca não corre risco de surto
Márcio Andrade e Silva, pesquisador da cura para o mal de Chagas, acredita que Franca não corre riscos de ter o mesmo tipo de surto que se verificou em Santa Catarina. Mas isso não significa que não é preciso tomar cuidado.
Para Mário, o problema em Santa Catarina foi que as moendas de lá são manuais, muitas vezes de madeira, o que atrai o barbeiro, que acabou "moído" junto com a cana. Com isso, a pessoa ingeriu o próprio inseto, e conseqüentemente o protozoário que fica no seu aparelho digestivo, e desenvolveu rapidamente a doença na sua forma aguda, que é muito mais grave e fulminante. Segundo o pesquisador, é improvável que o barbeiro tenha vindo dos canaviais. A violência da infecção se deu porque as pessoas foram contaminadas diretamente com o protozoário e não por meio dos ovos depositados na pele da pessoa quando essa é picada pelo inseto (veja quadro)
Em Franca, Márcio acha improvável que esse tipo de contaminação aconteça porque as moendas utilizadas não são manuais e as chances de um barbeiro se esconder lá são pequenas.

A doença
Uma pessoa é capaz de viver com a doença de Chagas durante anos, somente fazendo o controle dos sintomas. O maior problema é que o protozoário se aloja nos músculos, principalmente no coração, para se reproduzir. Com isso, a pessoas contaminadas desenvolvem uma série de problemas cardíacos e precisam de tratamento específico.