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O Imparcial (Presidente Prudente, SP)

Pesquisador paulista desenvolve refrigerador para satélites

Publicado em 02 março 2000

Uma das tecnologias necessárias para a montagem de satélites de sensoriamento remoto é um sistema de refrigeração confiável, duradouro e de baixo peso para o sensor de infravermelho termal. Este tipo de sensor serve por exemplo, para verificar a temperatura em corpos d'água, para identificar stress hídrico na vegetação e para diferenciar a composição de rochas e solos. O primeiro satélite de sensoriamento, que o Brasil construiu com a China e lançou em 1999, o CBERS-1, usou uma técnica passiva (radiador criogênico), desenvolvida no exterior. Mas o País talvez já conte com tecnologia nacional para o próximo satélite de sensoriamento da série - o CBERS-2 - e para a câmara CCD (Charge Couple Device) a ser enviada a bordo do ônibus espacial norte-americano, possivelmente em 2001, num experimento conjunto do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) e da agência espacial americana, NASA. O pesquisador Humberto Pontes Cardoso, engenheiro mecânico com doutorado em Ciências Térmicas, conseguiu montar um minirrefrigerador criogênico termoacústico, numa bancada de testes, e agora trabalha no primeiro protótipo. "Os países mais desenvolvidos no setor espacial já dominam um sistema de refrigeração de curta duração (20 a 30 minutos), utilizado nos sensores de mísseis, mas estão perseguindo, como nós, uma tecnologia boa e barata para refrigeradores de longa duração (2 a 8 anos), necessários nos satélites de sensoriamento", explica Cardoso. O minirrefrigerador desenvolvido por Cardoso é um tubo de aço inox com gás hélio misturado a pequenas quantidades de argônio e xenônio. Ao tubo estão conectados um alto-falante e um defasador termoacústico. O alto-falante produz pulsos de compressão e descompressão dos gases, originando trocas de calor com o defasador e fazendo o resfriamento. No futuro, a tecnologia poderá ser adaptada para refrigeradores domésticos e sistemas de ar-condicionado, com vantagens ambientais, já que o hélio é um gás inerte e não prejudica a camada de ozônio. Cardoso trabalha nesta tecnologia há três anos, com mais um pesquisador e um técnico de alto nível, todos da empresa Equatorial Sistemas (http:// www.eqsis.com), criada em 1996 e instalada em São José dos Campos, SP. O financiamento, da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo, Fapesp (http://www.fapesp.br), é de 250 mil reais. Maiores informações pelo telefone (12) 3318066 ou pelo email equat@uol.com.br.