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Pesquisador de Atibaia participa de pesquisa sobre o cacau

Publicado em 13 junho 2012

Paulo Teixeira, filho do médico e vereador José Paulo Teixeira, integra como pesquisador a equipe da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) que desvendou a estratégia usada pela praga vassoura-de-bruxa - principal doença que afeta a produção de cacau no país - para resistir ao ataque da planta hospedeira e aos mais potentes fungicidas do mercado.


Segundo matéria do jornal O Estado de S. Paulo, que dá como fonte a Agência Fapesp, a descoberta abre caminho para o desenvolvimento de novas drogas capazes de combater a doença. A novidade também foi objeto de matéria na Folha de S. Paulo e na revista New Phytologist. Os jornais Financial Times e O Globo e as revistas Exame e Fapesp também divulgaram o assunto.


Causada pelo fungo Moniliophthora perniciosa, a vassoura-de-bruxa tem esse nome porque deixa os ramos do cacaueiro secos como uma vassoura velha. As áreas afetadas não conseguem realizar fotossíntese e, para piorar, liberam substâncias tóxicas que diminuem a produção de frutos. Os poucos frutos produzidos se tornam inviáveis para a fabricação de chocolate.


O chefe da equipe de pesquisadores, Gonçalo Amarante Guimarães Pereira, coordenador do Laboratório de Genômica e Expressão da Unicamp, afirmou: “Na fase inicial da infecção, a planta tenta deter a ação do invasor liberando grandes quantidades de óxido nítrico (NO), substância capaz de bloquear a cadeia respiratória do fungo. Mas descobrimos que a vassoura-de-bruxa possui um mecanismo alternativo de respiração que lhe permite resistir a esse ataque”.


Ironicamente, a própria planta acaba sofrendo os efeitos tóxicos do NO. Os galhos infectados morrem e viram banquete para a M. perniciosa. “O fungo tem uma fase biotrófica, na qual vive dentro da planta ainda viva, e outra necrotrófica, em que se alimenta do tecido morto”, disse Pereira. A equipe coordenada pelo pesquisador descobriu que, durante a fase biotrófica, quando está sob o ataque da planta, a vassoura-de-bruxa produz uma enzima chamada oxidase alternativa. Essa proteína lhe permite gerar uma quantidade mínima de energia e garante sua sobrevivência.


Os esforços brasileiros para elucidar o mecanismo de ação da doença que há mais de duas décadas afeta drasticamente a produção de cacau no Brasil começaram por volta do ano 2000, com o mapeamento do genoma da M. perniciosa. Quando chegou ao sul da Bahia, em 1989, provavelmente vinda da região amazônica, a vassoura-de-bruxa fez com que a produção nacional caísse de aproximadamente 400 mil toneladas ao ano para pouco mais de 120 mil. O Brasil, antes um dos maiores exportadores de cacau, passou a importar sementes de países como a Indonésia, com qualidade inferior. Atualmente, a doença está presente em todos os países produtores de cacau da América Central e do Sul.