Notícia

A Folha (São Carlos, SP)

Pesquisador da USP São Carlos é empossado membro da Academia

Publicado em 17 junho 2005

Por Kleber Jorge Savio Chicrala

A sessão solene de posse dos novos membros titulares da A.B.C. - Academia Brasileira de Ciências aconteceu no último dia 8 de junho no auditório do Clube de Engenharia - Av. Rio Branco, 124 - 25º andar - Rio de Janeiro, o pesquisador são carlense Prof. Dr. Vanderlei Salvador Bagnato assumiu a cadeira de membro titular na área de ciências físicas, um marco para São Carlos que se projeta nacional e internacionalmente pela ciência, pesquisas e tecnologia.

Durante a cerimônia destacou-se o Ano Internacional da Física, e Bagnato ao lado do Presidente da A.B.C. Dr. Eduardo Moacyr Krieger e do ministro da ciência e tecnologia Dr. Eduardo Campos, foi saudado por Adalberto Fazzio que fez a leitura do curriculum vitae do pesquisador.

Em meio aos aplausos de uma platéia seleta, o filho de São Carlos e pesquisador Vanderlei Bagnato entra para a história e toma posse na tradicional Academia Brasileira de Ciência, lembrando sua trajetória. A biografia de Bagnato demonstra e justifica a honraria que recebeu, destacada na sessão de posse, sendo:

Nascido em 28 de Setembro de 1958, filho de Walter Bagnato e Antonia Italiano Bagnato, Vanderlei Salvador Bagnato, mostrou desde cedo interesse para ciência. Com treze anos de idade participou dos encontros de jovens cientistas patrocinado pelo Funbec/Ibec e Unesco.

Determinou-se a seguir carreira cientifica desde cedo, e em 1977 ingressou na USP e na UFSCar, cursando na primeira o curso de física e na segunda Engenharia de Materiais. Os cursos foram feitos em paralelo e ao terminar o primeiro, já deu início ao seu mestrado no Instituto de Física de São Carlos - USP onde trabalhou, com propriedades ópticas de cristais inorgânicos.

Casou-se com Silvia Mara Firmino Bagnato em 1982 e um ano depois, após o termino do mestrado, ingressou no Massachusetts Institute of Technology - MIT, onde foi orientado pelo Prof. David Pritchard num dos temas que viria a ser um dos mais relevantes para a física: resfriamento e aprisionamento de átomos. Sua tese em 1987, foi a primeira tese de Doutorado neste tema. No mesmo grupo trabalhavam Eric Cornell (que viria a ganhar o prêmio Nobel de 2001), W. Keterlle (prêmio Nobel de 2001), W.Phillips (prêmio Nobel de 1997), com os quais desenvolveu-se laços científicos e pessoais. Regressando ao Brasil no final de 1988, iniciou o laboratório em São Carlos, realizando várias contribuições para campo de átomos frios e condensação de Bose Eins tem. Em 1998 é construído o primeiro relógio atômico da América Latina, inaugurado pelo Ministro da Ciência e Tecnologia. Este feito rendeu o prêmio Nacional de Metrologia ao laboratório.

Em 1998, inicia-se também uma segunda linha de trabalho sobre aplicações de laser em medicina e odontologia. A técnica de terapia fotodinâmica recebe em seus laboratórios avanços e o Brasil da início, sob sua coordenação, à implantação clínica de mais uma moderna técnica no tratamento de câncer - PDT. O modelo do programa brasileiro foi motivo de editorial mesmo em revistas internacionais.

Técnicas modernas de diagnóstico óptico de doenças variadas já são hoje uma realidade dentro das pesquisas dos laboratórios que coordena.

Atualmente sob a coordenação do Prof. Bagnato o CE-POF- Centro de Pesquisa em Óptica e Fotônica, financiado pela FAPESP, tem crescido em volume e qualidade, demonstrando para a sociedade brasileira a importância e valor da ciência. Estiveram presentes na cerimônia de posse diversos pesquisadores da equipe de Bagnato, inclusive amigos de São Carlos e Rio de Janeiro.

Segundo o Ministro de Ciência e Tecnologia Eduardo Campos: "A Academia Brasileira de Ciências é a unidade mais representativa da qualidade da Ciência Brasileira, e por esse motivo merece nossa admiração".