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Pesquisador da Unicamp ganha prêmio da Microsoft Research

Publicado em 11 agosto 2011

Imagine uma foto que mostre você tirando uma máscara depois de roubar um banco. Provar se esta foto é verdadeira ou falsa poderá determinar sua condenação. Por sua pesquisa em vídeo digital e perícia forense de imagens, o brasileiro Anderson de Rezende Rocha, da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), foi escolhido para uma das vagas de Microsoft Research Faculty Fellows.

Rocha, que tem 30 anos, é professor-assistente do Instituto de Computação da Unicamp. Sua pesquisa tem como foco as provas digitais que a polícia e a Justiça utilizam para indiciar e condenar criminosos.

O trabalho de Rocha segue duas abordagens. Primeiro, sua pesquisa busca detectar tentativas de burlar sistemas como os de leitura de impressões digitais ou reconhecimento facial. Outro campo de trabalho é o desenvolvimento de ferramentas que revelam imagens forjadas em vídeos e fotos digitais. “No Brasil tivemos muitos casos em que, por exemplo, alguém tentou causar danos à imagem pública de um político”, explicou.

Recentemente o pesquisador teve que analisar oito imagens diferentes que mostrava um político brasileiro acusado de envolvimento com pornografia infantil. Rocha concluiu que aquelas imagens eram falsas. Os algoritmos que ele e sua equipe desenvolveram indicaram a fraude, feita com Photoshop.

“Quando alguém junta duas imagens, você geralmente encontra inconsistências”, disse. Por exemplo, as sombras na face de uma pessoa não combinam com a iluminação dos arredores. O que às vezes é difícil perceber a olho nu pode ser detectado com as ferramentas de laboratório.

Vídeos
Rocha também é capaz de concluir se um vídeo é autêntico ou não. Recentemente uma câmera de vigilância de um posto de gasolina filmou um homem que saiu de seu carro e atingiu um funcionário com um bastão de beisebol. Depois de ser pego, o suspeito declarou que o vídeo havia sido adulterado. “Nós pudemos provar que não foi”, disse Rocha.

Frequentemente ele trabalha como consultor da polícia. Contudo, seu trabalho também levanta novas questões de pesquisa. “Eles enviam problemas muito difíceis, para os quais às vezes ainda não temos solução”, disse Rocha. Além disso, a evolução dos recursos de softwares de processamento de imagens trazem ainda mais desafios. “É um jogo de gato e rato”, avaliou o pesquisador.

Até agora Rocha tem colaborado apenas com as autoridades policiais do Brasil. Contudo, ele avalia que outros países também poderiam tirar proveito do resultado de suas pesquisas. Rocha é um dos organizadores do “IEEE International Workshop on Information Forensics and Security”, que será realizado em Foz do Iguaçu (PR) de 29 de novembro a 2 de dezembro de 2011. Ele disse que representantes da agência internacional Interpol foram convidados para a conferência.

Fellow
Segundo Rocha, a conquista da vaga de Fellow foi um grande motivador para ele e seus estudantes. “Isso significa que minha pesquisa foi reconhecida pelo seu potencial de ajudar pessoas e mudar o mundo de alguma forma”, declarou.

É uma distinção e tanto. A cada ano, desde 2005, a Microsoft Research escolhe oito jovens professores com base em uma lista de indicados. As indicações são enviadas por institutos de pesquisa em computação de todo o mundo. Os Microsoft Research Faculty Fellows ainda dividem uma verba de 1,4 milhão de dólares, que deve ser aplicada em suas pesquisas nas instituições para as quais trabalham.

Além disso, na condição de Fellow, o pesquisador tem acesso a recursos da Microsoft, convites para conferências e contato com pesquisadores da Microsoft Research em Redmond (EUA).

O pesquisador disse ainda que o reconhecimento de seu trabalho foi mais importante que o dinheiro que a condição de Microsoft Fellow traz. Rocha já tem planos para a bolsa. Ele disse que agora poderá custear parcialmente um laboratório de pesquisa recém-inaugurado na universidade, e que é dedicado à perícia forense de documentos digitais. Quatro estudantes de doutorado, seis de mestrado e um aluno de graduação trabalham nele, disse Rocha. O laboratório forense computacional está associado com um laboratório maior, que lida com análise de padrões e aprendizagem de máquinas.

Rocha disse que também usará o dinheiro para dar a estudantes os recursos de que precisam para apresentar suas pesquisas em conferências.

Rocha graduou-se em Ciência da Computação na Universidade Federal de Lavras (MG) em 2003. Na Unicamp, ele completou seu mestrado (2006) e seu doutorado (2009).

Fonte IDG News Service/EUA
Com Agência Fapesp