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Pesquisador da UFU publica artigo em revista científica sobre uso de veneno de serpente no tratamento de doenças parasitárias

Publicado em 22 agosto 2021

Por G1 Triângulo e Alto Paranaíba — Uberaba

Apesar de apresentar efeitos letais em casos de envenenamento, o veneno de serpente tem moléculas que podem auxiliar nos tratamentos de doenças como: toxoplasmose, Chagas, leishmaniose, malária e helmintíases.

Foi o que revelou a pesquisa 'Panaceia dentro de uma caixa de Pandora: os efeitos antiparasitários das fosfolipases A2 (PLA2s) de venenos de serpente', publicado na revista científica 'Trends in Parasitology'.

Desenvolvida por cientistas do Programa de Pós-graduação em Imunologia e Parasitologia Aplicadas da Universidade Federal de Uberlândia (PPIPA-UFU), com colaboração de pesquisadores de Minas Gerais, São Paulo e Bahia, o grupo fez um levantamento de literatura sobre o potencial terapêutico do veneno de serpente para o tratamento de doenças parasitárias.

Atualmente, existem poucas vacinas eficazes e os medicamentos utilizados apresentam efeitos colaterais nos pacientes.

“Através de um levantamento da literatura científica, demonstramos que apesar dos possíveis efeitos letais que os venenos de serpentes podem apresentar durante casos de acidentes ofídicos, envenenamentos, estes, ao mesmo tempo, podem atuar como uma rica fonte de moléculas passíveis de serem amplamente estudadas/exploradas quanto ao seu potencial terapêutico”, disse Samuel Teixeira, pesquisador e um dos autores do artigo, que faz estágio pós-doutoral financiado pelo Programa Nacional de Bolsas de Pós-Doutorado (PNPD) da Capes, associado ao PPIPA/UFU.

Teixeira ressaltou ainda que é importante desenvolver novos tratamentos para as doenças. O veneno de serpente vem ganhando destaque justamente por ter moléculas com potencial antiparasitário.

A pesquisa investigou uma família de proteínas isoladas do veneno de serpentes, chamadas de fosfolipases A2 (PLA2s). Elas têm se mostrado eficientes contra os causadores das doenças parasitárias e representam um caminho promissor na busca de tratamentos efetivos.

“A descoberta de possíveis novos fármacos poderá ajudar milhões de pessoas em todo mundo que vivem em áreas endêmicas para tais doenças, principalmente em regiões de baixa renda. Contudo, apesar dos eminentes avanços, mais estudos se fazem necessários antes do estabelecimento de possíveis tratamentos mais eficazes e seletivos”, falou o pesquisador.

O estudo teve fomento da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Minas Gerais (Fapemig) e da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp).

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