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G1

Pesquisador da UFSCar cria material de plástico para substituir gesso ortopédico

Publicado em 27 julho 2018

Um pesquisador da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) desenvolveu um material que pode substituir o gesso utilizado em imobilizações ortopédicas. Além do custo mais baixo, o protótipo pode ser lavado e reutilizado pela mesma pessoa.

O compósito, materiais cuja estrutura é constituída por uma combinação de dois ou mais produtos não solúveis entre si, foi criado pelo doutorando do Departamento de Engenharia de Materiais (DEMa) Gustavo Trindade Valio é moldado em cerca de 15 minutos.

“O material tem alta rigidez e trêz veses mais a resistência mecânica dos usados hoje em dia. Ele também pode ser desfeito e remodelado para a mesma pessoa, pode ter contato com água e sai pela metade do preço”, explicou.

Ainda não há prazo para o material chegar ao mercado. O pesquisador já entrou com o pedido de patente e o próximo passo é aprimorar o compósito para também ser impresso em 3D.

Segundo Valio, as pesquisas tiveram início há três anos, quando foi apresentado aos materiais importados já usados por fisioterapeutas. Mas o grande problema era o preço.

“Eu vi do que era feito, pensei em uma formulação para ficar barato e diminuir o custo ao máximo. Então fiz uma mistura, vi que deu certo e começamos a trabalhar para fazer em grande escala”, explicou.

Os compostos se transformam em grânulos e criam uma chapa que é colocada em um recipiente com água em 70 graus. Ela amolece e é moldada diretamente no membro necessitado, ficando rígido. “Esse processo dura cerca de 15 minutos”, disse o pesquisador.

De acordo com Gustavo Trindade, o produto tem antimicrobiano, que diminui o mau cheiro, pode ser colocado na água e, comparado ao gesso tradicional, é extremamente confortável.

“É bem mais leve, mais prático, fácil e pode até ser lavável. Tem modelo mais flexível ou mais rígido, de forma vazada para correção de defeitos musculares e para aumentar a flexibilidade do membro e de imobilização completa. Tudo depende da utilização do profissional da área”, disse.

Um dos exemplos da sua utilização, segundo o pesquisador, é o da síndrome do Pé Torto Congênito, em que a criança nasce com deformidade nos pés, envolvendo ossos e tendões.

“Nesses casos, a criança precisa recolocar o gesso toda semana, então gera uma quantidade de resíduo em excesso. Esse pode ser retirado da criança, colocada na água e reutilizada na mesma criança, moldando da forma que ela necessita”, explicou.

A pesquisa ganhou a primeira edição do Desafio UFSCar de Inovação e Empreendedorismo na categoria ‘startup’ e foi financiada pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp).

Agora, com a ajuda do Centro de Caracterização e Desenvolvimento de Materiais (CCDC) da UFSCar, Valio está adaptando as fórmulas para que os imobilizadores sejam produzidos de forma mais complexa em impressão 3D.

“Nós estamos escrevendo a fase II para produção em grande quantidade. O Departamento de Fisioterapia da UFSCar também está faz testes para ver se o produto está adequado para testes em humanos”, concluiu.

O produto ainda está em fase piloto, mas o pesquisador afirmou que logo dará início ao desenvolvimento de amostras pequenas do produto real para que os profissionais possam começar a utilizar.