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Jornal da Manhã (Marília, SP) online

Pesquisador da Famema ministra aula em Paris

Publicado em 02 outubro 2010

O médico endocrinologia José Augusto Sgarbi, chefe dessa disciplina na Famema (Faculdade de Medicina de Marília), foi um dos palestrantes convidados da última edição do Congresso Internacional de Tireóide, realizado em Paris, de 11 a 16 de setembro. Ele falou sobre seus dez anos de pesquisa científica que mostram a relação entre o hipertireoidismo subclínico e o risco cardiovascular e de mortalidade.

O hipertireoidismo ocorre quando a glândula tireóide aumenta a produção e a oferta de seus hormônios para a corrente sanguínea, o que determina manifestações clínicas caracterizadas por nervosismo, perda de sono, agitação, calor excessivo, transpiração, emagrecimento e palpitação, entre outros sintomas. As formas mais acentuadas da doença podem afetar o coração, determinando arritmias, aumento do coração e insuficiência cardíaca.

Em uma fase mais leve dessa disfunção, conhecida como hipertireoidismo subclínico, os pacientes ainda não apresentam sintomas e, em geral, desconhecem serem portadores da doença. O diagnóstico é realizado muitas vezes por acaso, através de exames ou "check-up" de rotina.

As sociedades médicas científicas recomendavam o tratamento apenas das formas clínicas mais acentuadas do hipertireoidismo e acreditavam não ser necessário o tratamento para o hipertireoidismo subclínico.

Após dez anos de dedicação à pesquisa, Sgarbi comprovou a necessidade de se tratar o hipertireoidismo subclínico a fim de evitar o aumento do risco de morte dos pacientes.

Sgarbi, além de chefe da disciplina de endocrinologia da Famema, coordena o Centro de Pesquisa Clínica em Diabetes. Seus trabalhos científicos na área das doenças subclínicas da tireóide começaram em 2000. Porém, foram os últimos oito anos de avaliação de um grupo de descendentes de japoneses em Bauru que comprovaram a necessidade da medicina "olhar" para os pacientes com hipertiroidismo subclínico.

Das 1.300 pessoas avaliadas com deslocamento periódicos do pesquisador para Bauru, as que apresentaram hipertiroidismo subclínico tiveram um risco de morte três vezes maior por causa cardiovascular. Até então a literatura médica sugeria tratamento em pacientes com mais de 60 anos que apresentassem alterações laboratoriais mais acentuadas.

O estudo populacional, patrocinado pela FAPESP (Fundação de Apoio a Pesquisa do Estado de São Paulo), concluiu que o hipertireoidismo subclínico está associado ao maior risco de morte e preconiza o tratamento precoce para pacientes que persistirem com a doença. Este trabalho foi publicado em março deste ano em uma das revistas especializadas em endocrinologia com maior prestígio no mundo, o Jornal Europeu de Endocrinologia, o que despertou a atenção da comunidade científica internacional e resultou no convite para que Sgarbi participasse como conferencista do Congresso Internacional de Tireóide.

O congresso acontece a cada cinco anos em diferentes partes do mundo e é organizado pelas Associações Americana, Européia, Latino-Americana e Ásia Oceania de Tireóide. Apenas cinco brasileiros foram convidados por essas sociedades irmãs para serem conferencistas, entre eles Sgarbi.

Durante sua conferência no encontro, o médico, em inglês, expôs sua pesquisa e outros trabalhos de mérito que convergiram para a mesma conclusão. Aproximadamente 300 endocrinologistas de várias nacionalidades assistiram, incluindo pesquisadores e professores de renome das melhores universidades do mundo.

A família do endocrinologista, incluindo os filhos Fábio e Caio e sua esposa e médica Luciana Sgarbi, também estavam presentes. "Foi um momento muito especial em minha carreira como pesquisador. Não somente porque percebemos a nossa inserção como referência mundial neste tema, mas sobretudo pela oportunidade de levar o nome da Famema e de Marília para fora do Brasil, o que torna todo esforço e dedicação recompensados", disse Sgarbi.

Prêmio

Entre os prêmios acumulados pelo endocrinologista de Marília está o de 2000, quando recebeu menção honrosa pelo tema livre Efeitos Cardíacos do Tratamento do Hipertireoidismo Subclínico com Metimazol, no 9º Encontro Brasileiro de Tireóide.