Notícia

Portal Lumière

Pesquisador cria sistema móvel de placas solares

Publicado em 16 junho 2010

Um sistema mais eficiente de geração de energia solar foi criado pela Universidade Estadual de São Paulo (Unesp). Trata-se de placas solares móveis, capazes de acompanhar a posição dos raios solares durante o ano. Novidade que, se chegar ao mercado, poderá movimentar o setor e trazer benefícios energéticos e ambientais. O modelo foi desenvolvido pelo professor da Faculdade de Engenharia da Unesp (FEB), Alceu Ferreira Alves, e teve origem a partir de uma pesquisa para sua tese de doutorado. O estudo contou com o financiamento da Fundação de Amparo à Pesquisa no Estado de São Paulo (Fapesp) e da Fundação para o Desenvolvimento da Unesp (Fundunesp).

A placa móvel utiliza um sistema mecânico para gerar os movimentos e um dispositivo eletrônico que calcula a posição do Sol e envia os comandos para um conjunto de dois motores de passo. "A inclinação do painel é mantida constante ao longo do dia e há um movimento apenas do ângulo equivalente ao fuso-horário da Terra, ajustando a posição do painel a cada quatro minutos. A inclinação do painel só muda quando há uma diferença entre a posição real do painel e um ângulo de incidência superior a um grau, o que ocorre aproximadamente a cada quatro dias", explica Alves.

A proposta do professor é voltada para aplicação em pequenas propriedades rurais isoladas, na construção de grandes parques fotovoltaicos, uso residencial em centros urbanos e na geração distribuída de eletricidade em conjunto com outras fontes de energia, como eólica, térmica, entre outras. O novo sistema tem capacidade para produzir 53% mais energia se comparado a sistemas fotovoltaicos fixos, ou seja, o modelo da Unesp não consome muito da energia que produz.

Vantagem que pode se transformar em retorno de capital, já que o custo 35,7% superior a um sistema convencional é compensado pela maior geração de energia elétrica. O seu encarecimento se deve ao alto custo de implantação e por causa do alto preço do silício, material utilizado para fabricar os painéis fotovoltaicos. Por enquanto, apenas um protótipo de 50W foi construído.

Porém, de acordo com o professor, a tecnologia permite que se construam usinas geradoras de qualquer potência, bastando apenas que se multipliquem o número de painéis instalados e o sistema de movimentação. Entre as características que o diferenciam de outros sistemas comercializados hoje, estão a não utilização de sensores, o que diminui a possível interferência de sombras ou nuvens; o movimento de apenas um motor durante o dia, economizando parte da energia gerada; e o uso de motores de passo, em vez de motores de corrente contínua, o que torna o sistema mais simples e exclui a necessidade de retroalimentação. Segundo Alves, o objetivo inicial não era comercial, mas, após a divulgação, foram recebidas algumas propostas de industrialização e comercialização, que estão sendo analisadas, visando à continuidade das pesquisas, para tornar o sistema ainda mais inteligente e viável.