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Canal Rural

Pesquisador afirma que biocombustíveis serão única opção a longo prazo

Publicado em 14 setembro 2008

Na conferência de abertura do 1º Simpósio sobre Etanol de Celulose, realizado nessa semana, na sede da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP), o físico José Goldemberg falou sobre “O papel da biomassa na matriz energética mundial”. Segundo ele, os combustíveis fósseis ainda predominam em todo o planeta, o que traz uma série de problemas, todos relacionados à sustentabilidade.

“Além da exaustão dos combustíveis fósseis, e do grande problema ambiental que eles causam, com a diminuição das reservas ficamos cada dia mais dependentes dos países do Oriente Médio”, disse o pesquisador do Centro Nacional de Referência em Biomassa, vinculado ao Instituto de Eletrotécnica e Energia (IEE) da USP.

Segundo ele, as energias renováveis serão a única alternativa viável a longo prazo.

“Muitos defendem a energia nuclear, mas se esquecem de que ela só é utilizável para a produção de eletricidade. E o verdadeiro problema energético que enfrentamos não tem relação com a eletricidade e sim com os combustíveis”, afirmou.

Goldemberg destacou que os transportes são responsáveis por mais de 70% de todas as emissões de monóxido de carbono do mundo.

“Eles também são responsáveis por mais de 40% das emissões de óxidos de nitrogênio e por quase 50% do total de hidrocarbonetos”, afirmou.

O cientista explicou que a principal matriz energética utilizada no mundo é o petróleo (35%), seguida do carvão (25%), biomassa tradicional (8,5%), energia nuclear (6%) e o conjunto de todas as energias renováveis (3,4%), incluindo 1,9% de biomassa moderna.

O quadro muda bastante no Brasil: petróleo (44%), energias renováveis (41,8%) – sendo 13% hídrica e 6,5% biomassa moderna –, biomassa tradicional (22%), gás natural (7,5%), carvão (7%) e energia nuclear (1,4%).

“É um dos poucos lugares no mundo onde o uso de energias renováveis passa de 50% do total consumido”, disse.

No Estado de São Paulo, segundo Goldemberg, a configuração muda ainda mais: petróleo (40%), cana-de-açúcar (30%), energia hídrica (17%), gás natural (6%), carvão (3%), biomassa tradicional (2%) e outras energias renováveis (2%).

Goldemberg garantiu que a posição do Brasil é confortável em relação ao potencial de exploração do etanol.

“O principal concorrente, que são os Estados Unidos, utilizam o milho. O problema com o milho é que o calor usado para produzir o etanol vem de fora, ao contrário do que ocorre com a cana-de-açúcar. Como a matriz energética deles se baseia em carvão, no fundo, o uso do milho se ressume a transformar carvão em etanol, o que compromete o balanço energético”, explicou.

O cientista encerrou citando o que considera “mitos sobre os biocombustíveis”.

“O primeiro é que a produção de biocombustíveis leva ao desmatamento e à fome. Não há dados que comprovem isso. Ao contrário, vários estudos que vêm sendo feitos desmentem essas falácias”, disse.

Os outros dois mitos, segundo ele, são que os biocombustíveis não reduzem as emissões de gás de efeito estufa e que eles são viáveis apenas em “nichos” como o Brasil.

“Esses mitos também não têm fundamento”, afirmou.

Agência Fapesp