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Pesquisa vai desenvolver prótese ortopédica customizada

Publicado em 15 agosto 2016

Da Agência Fapesp de Notícias

 

O Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT), a Companhia Brasileira de Metalurgia e Mineração (CBMM) e a Associação de Assistência à Criança Deficiente (AACD) se uniram num projeto de produção de próteses ortopédicas customizadas, confeccionadas com liga de nióbio-titânio (Nb-Ti) e titânio-nióbio-zircônio (Ti-Nb-Zr) por fusão seletiva a laser.

 

O investimento, de R$ 8,2 milhões, será dividido entre a CBMM (R$ 2,69 milhões), o governo do Estado de São Paulo (R$ 1,6 milhão), a FAPESP (R$ 1,8 milhão), no âmbito do Programa de Apoio à Pesquisa em Parceria para Inovação Tecnológica (PITE), e a Empresa Brasileira de Pesquisa e Inovação Industrial (Embrapii) (R$ 2,17 milhões).

 

“A FAPESP apoia 35 PITEs, todos em andamento, em um total de R$ 65,6 milhões de recursos contratados”, disse o presidente da Fundação, José Goldemberg. “Esse será o 36º, que, por envolver parceria com a AACD, terá importância social muito grande.” O PITE financia pesquisas cooperativas em instituições acadêmicas ou institutos de pesquisa, desenvolvidas em cooperação com pesquisadores de centros de pesquisa de empresas que são cofinanciadoras do projeto. Entre as empresas parceiras estão a GlaxoSmithKline, a Microsoft, a Embraer, a Peugeot-Citroën, entre outras.

 

O termo de parceria foi assinado pelo governador Geraldo Alckmin no dia 8 de agosto, em cerimônia no Palácio dos Bandeirantes, em São Paulo. “Trata-se de uma parceria de instituições de excelência, que articula a engenharia e a medicina para produzir próteses customizadas, com melhores resultados e melhor qualidade de vida para os pacientes”, afirmou o governador.

 

“O projeto alia pesquisadores da empresa, da AACD e do IPT para vencerem desafios que envolvem ciência e tecnologia, criando com os resultados oportunidades com impacto social e econômico”, afirmou Carlos Henrique de Brito Cruz, diretor científico da FAPESP.

 

Tecnologia inovadora

 

A fusão seletiva a laser é tecnologia inovadora, por meio da qual diferentes materiais podem ser aplicados camada por camada (cada uma delas na ordem de micrômetros) na fabricação de uma peça sem a existência de um molde ou ferramenta. Fernando Landgraf, diretor-presidente do IPT, explicou que, a partir de tomografia ou ressonância magnética de um paciente, será criado um desenho tridimensional da peça que será “impressa” nas dimensões exatas para se encaixar no corpo humano.

 

A fusão seletiva a laser permite o arranjo de diversos metais, cerâmicas, polímeros e outras combinações de materiais, como, no caso, dois tipos de ligas a partir do pó de titânio-nióbio – produzido pela CBMM – para a confecção de próteses de correção de luxação de quadril, também conhecida como placa angulada.

 

O projeto terá duração de 42 meses. As ligas serão produzidas no IPT; as próteses serão construídas no Instituto Sistema de Manufatura e Laser do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai) em Joinville, Santa Catarina; e os testes clínicos com as peças serão realizados na AACD.