Notícia

UNOESTE - Universidade do Oeste Paulista

Pesquisa usa bactéria para atenuar estresse hídrico vegetal

Publicado em 16 dezembro 2015

Experimento científico pode resultar em contribuição para produtores de feijão e de milho em períodos de seca. Já é sabido que a bactéria Bacillus subtillis é promotora de crescimento de plantas. O que se quer saber agora é se ela pode atenuar o estresse hídrico, através de sua introdução nas culturas para trabalhar com o metabolismo das plantas, no sentido de evitar, ante a falta de água, o envio da mensagem bioquímica de inibição do crescimento. A pesquisa desenvolvida junto ao Programa de Pós-graduação Stricto Sensu em Agronomia, vinculado à Pró-reitoria de Pesquisa e Pós-graduação da Unoeste, tem o aporte financeiro da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), com investimento superior a R$ 120 mil.

Somente na importação de câmara climática para plantas foram investidos R$ 97.378,00, além de R$ 25 mil a titulo de bolsas de estudos e aquisição de reagentes e outros materiais. O equipamento de simulação ambiental de alta precisão Fitotron foi adquirido na França e entregue na universidade em novembro, com a instalação concluída no começo deste mês no Laboratório de Fisiopatologia. Por essa razão, decorrente dos trâmites burocráticos de compra no exterior, a pesquisa iniciada em fevereiro de 2015 e com prazo previsto de conclusão em 12 meses, propõe prorrogação de oito meses à agência de fomento Fapesp, conforme o coordenador do programa e pesquisador responsável pelo projeto, Dr. Fábio Fernando de Araújo.

O equipamento que possibilita ajustes de temperatura, umidade e luminosidade passa a incorporar no patrimônio da universidade, de tal forma a ser utilizado em outras pesquisas. “A câmara permitirá simular condições ambientais para testar o crescimento das plantas. Faremos uma simulação de seca”, disse o pesquisador e explicou que a bactéria será introduzida no solo. É algo que no futuro poderá ser utilizado nas lavouras, inclusive como prática de agricultura sustentável, já que é possível multiplicar, em laboratório, a bactéria em grande quantidade.  Qualquer empresa interessada pode fazer isso, pois não há exigência de patente. “Qualquer pessoa pode usar o isolado para fazer multiplicação”, comentou Araújo.

Na pesquisa estão diretamente envolvidas as doutoras Adriana Moro e Ana Cláudia Pacheco, juntamente com a estudante da graduação inserida na iniciação científica Taiane Barradas, do 5º termo da Agronomia. Existem contribuições, como as da aluna Bruna Coelho Lima e da pesquisadora vinculada ao Laboratório de Inteligência em Plantas e Ecofisiologia ‘Ulrich Luttge’, Suzana Chiari Bertolli. Os pesquisadores também irão avaliar se a bactéria modificará a característica nutracêutica, o que tem importância para o consumo animal e humano do milho e do feião produzido em tal condição. A bactéria possibilita que a planta desenvolva antioxidantes, substâncias capazes de proteger as células sadias do corpo contra as lesões e os demais danos causados pelo excesso de radicais livres.

O projeto contempla plenamente essa proposta, ao informar que a bactéria estimula a planta a produzir antioxidantes que, por consequência, estará no alimento consumido; com efeitos humanos e animal. “A presença de enzimas antioxidantes nos alimentos é benéfica para a saúde dos consumidores. Estudos mostram que antioxidantes são moléculas nutracêuticas, componentes nos alimentos funcionais. Sua ação varia do suprimento de minerais e vitaminas essenciais à proteção contra várias doenças infecciosas. Os antioxidantes podem agir, diretamente, na neutralização da ação de radicais livres. Os principais compostos antioxidantes, com características nutracêuticas, em plantas, são os flavonoides, reconhecidamente com propriedades anti-inflamatórias, antialérgicas, antiviral e anticancerígeno”, embora não seja o foco do estudo, de acordo com Araújo.

Notícia disponibilizada pela Assessoria de Imprensa da Unoeste