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O Popular (Goiânia, GO)

Pesquisa sobre males do amianto vai durar 12 anos

Publicado em 30 agosto 2001

Por Marília Assunção
A pesquisa que verifica a saúde dos trabalhadores e ex-trabalhadores da Usina de Cana Brava, que explora amianto em Minaçu, vai ser retomada em janeiro. A primeira etapa da pesquisa, que identificou índices de morbidade e mortalidade entre 7 mil trabalhadores da mina, teve o laudo conclusivo aprovado em julho pelo Conselho Científico da fundação de apoio à Pesquisa de São Paulo (Fapesp). A aprovação deu mais argumento ao Governo de Goiás para questionar leis de alguns Estados e municípios defendendo o banimento da fibra de amianto crisotila, produzido apenas em Minaçu. O governo também decidiu apoiar financeiramente a próxima etapa da pesquisa, que vai durar 12 anos e custar R$3,4 milhões. Goiás deve bancar até R$ 1,08 milhão, que corresponde à 60% de uma parcela do custo, os 40% restantes devem ser custeados pela iniciativa privada. A outra parcela, de R$ 1,6 milhão, será paga pela Fapesp. A S.A. Mineração de Amianto (Sama) foi procurada para um convênio de cooperação técnica que financiaria o que falta. Na nova etapa do levantamento, que será dividida em três fases de quatro anos, a saúde dos trabalhadores será acompanhada pela equipe envolvida, de 32 pesquisadores brasileiros e 8 estrangeiros, segundo o coordenador da pesquisa, Ericson Bagatin, professor da Universidade de Campinas (Unicamp). A Unicamp, salienta ele, divide a responsabilidade pela pesquisa com a Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) e a Universidade Estadual de São Paulo (USP). Sobre a aprovação do relatório científico final da pesquisa pela Fapesp, Ericson Bagatin considerou de suma importância o fato de ter sido unânime. "Com a aprovação do mérito, temos assegurada a confiabilidade necessária sobre a qualidade, a metodologia e o resultado", afirmou o pesquisador. Entre outras coisas, a pesquisa concluiu que, entre os trabalhadores da fase mais recente - quando os equipamentos de proteção pessoal tiveram mais uso -, as doenças ocorreram em incidência bastante menor. Nos anos anteriores, a exposição à fibra causou doenças respiratórias graves, como a asbestose, a fibrose pulmonar e as placas pleurais, em um número maior de pesquisados. Os trabalhadores foram divididos em grupos conforme o período trabalhado na Sama em Poções (BA) e em Minaçu, entre os anos de 1967 e 2000. O parecer do diretor científico da Fapesp, José Fernando Perez, considerou "plenamente satisfatório o compromisso formal assumido (por Bagatin), de observar rigorosamente os princípios de plena informação e verificabilidade." Esses princípios vinham sendo questionados e por isso o laudo conclusivo só saiu depois da aprovação pelo Conselho Científico da Fapesp. Ericson Bagatin disse que está elaborando o projeto de investigação da nova fase da pesquisa até que ela esteja toda aprovada - o novo projeto depende de aprovação da Fapesp. O pesquisador estima contudo, que a nova etapa possa começar em janeiro próximo. Segundo ele, o acompanhamento será feito junto com a realização de exames periódicos. Ericson Bagatin manteve encontro com membros do governo em Anápolis na terça-feira, junto com o presidente da Sama, Rubens Rela.