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Pesquisa sobre leite materno em pó é premiada em São Paulo

Publicado em 11 fevereiro 2020

Foi com muita honra que recebi o convite para compor o júri da 19º edição do Prêmio Péter Murányi, que teve como tema: Alimentação. Fiquei ainda mais feliz em ver o projeto pelo qual me encantei receber mais de 80% dos votos e se tornar o vencedor de R$ 200 mil. Ao meu lado estavam representantes de Universidades, como USP, UNESP e UNIFESP, de entidades como a Sociedade Brasileira de Alimentação e Nutrição, SBAN, e de organizações sociais, como o IDEC, entre tantos outros. O evento promovido anualmente pela Fundação de mesmo nome tem como objetivo promover iniciativas voltadas à melhoria da qualidade de vida da população brasileira.

Quem acompanha o blog sabe que a amamentação é um tema recorrente por aqui, não me canso de ressaltar seus inúmeros benefícios para a saúde e o bem-estar presentes e futuros dos pequenos. A Rede Brasileira de Bancos de Leite Humano é considerada a maior do mundo pela Organização Mundial da Saúde, porém o volume armazenado não é suficiente para atender à demanda, que é suprida por fórmulas infantil feitas com leite de vaca. Esta introdução precoce de uma substância com grande potencial alergênico é uma das causas de grande parte das doenças inflamatórias e dos sintomas incômodos de bebês e crianças.

Os pesquisadores Vanessa Javera e Jesuí Vergílio Visentainer, da Universidade Estadual de Maringá (UEM) utilizaram uma tecnologia para conservar o leite humano à temperatura ambiente, que deve manter suas propriedades nutricionais e biológicas. Na conversão em pó, foram aplicados dois processos que atenderam a esses critérios: liofilização e spray drying ou atomização, método realizado a partir da suspensão por secagem rápida. Assim, na visão dos pesquisadores, a versão do produto em pó tem plenas condições de atender à demanda reprimida, aumentando o número de bebês, de até seis meses, alimentados com leite humano. Até agora, os bancos de leite materno trabalham com o produto pasteurizado e congelado, cujo tempo de validade é curto e que exige infraestrutura complexa para armazenagem. Com estrutura adequada para estocagem, o produto em pó ampliaria a oferta do alimento, com a mesma qualidade, sabor e propriedades nutricionais e maior tempo de validade.

De acordo com a presidente da Fundação, Vera Murányi Kiss, o leite humano em pó pode ser uma opção clínica e social na manutenção e ampliação do aleitamento materno, “São numerosos os bebês não amamentados pelas mães, por distintas razões, aos quais tem de ser ofertadas fórmulas infantis. Sabidamente, contudo, nada substitui o leite materno, não apenas em termos nutricionais, como também para o desenvolvimento do sistema imunológico”.

A 19ª edição do Prêmio teve 124 inscritos, indicados por instituições de pesquisa e universidades. O segundo colocado, que recebeu R$ 30 mil, foi o ‘Desrotulando’, uma plataforma digital que avalia os rótulos dos alimentos ultraprocessados e visa promover mais autonomia ao consumidor na hora de escolher os produtos que irá comprar. Os autores são Carolina Grehs e Gustavo Grehs, da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre. Em terceiro lugar, com um prêmio de R$ 20 mil, ficou o projeto de André Rodrigues dos Reis e Vinicius Martins Silva da Unesp. Eles pesquisaram sobre a biofortificação agronômica do feijão-caupi com selênio para ajudar a mitigar a desnutrição na região Nordeste do País.

A premiação conta com o apoio das seguintes entidades: CIEE (Centro de Integração Empresa-Escola), Fapesp (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo), Capes (Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior), Anpei (Associação Nacional de Pesquisa e Desenvolvimento das Empresas Inovadoras), SBPC (Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência), Aciesp (Academia de Ciências do Estado de São Paulo), ABC (Academia Brasileira de Ciências), Aconbras (Associação dos Cônsules no Brasil) e CNPq (Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico).

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