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Jornal Brasil

Pesquisa sobre AVC ganha prêmio em congresso de doenças cerebrovasculares

Publicado em 24 outubro 2015

A pesquisa “Significado Prognóstico da Atividade Epileptiforme Interictal na Fase Aguda do AVC Isquêmico” do médico neurologista Fabrício Oliveira Lima ganhou o prêmio de melhor trabalho apresentado no X Congresso Brasileiro de Doenças Cerebrovasculares, ocorrido em Belo Horizonte, Minas Gerais, no mês de outubro. O trabalho é parte da tese de doutorado defendida na Faculdade de Ciências Médicas (FCM) dentro do programa de Fisiopatologia Médica. A pesquisa contou com apoio da FAPESP. A orientação foi do neurologista e professor do Departamento de Neurologia da FCM, Li Li Min.

O acidente vascular cerebral (AVC) é a doença que mais mata no Brasil. Existem dois tipos de AVC. O AVC isquêmico (no qual um vaso é obstruído ocasionando a falta de sangue) e o AVC hemorrágico (no qual há uma ruptura de um vaso no interior do cérebro levando a um sangramento). O AVC isquêmico é responsável por cerca de 85% dos casos.

Atualmente, há tratamentos na fase aguda do AVC isquêmico que aumentam a chance dos pacientes ficarem com pouca ou nenhuma sequela. Esses tratamentos consistem em abrir o vaso obstruído com um medicamento (trombólise endovenosa) ou através de um procedimento onde é utilizado um cateter que vai a artéria ocluída para desfazer a obstrução. Entretanto, somente uma pequena proporção dos pacientes com AVC chegam a tempo para se beneficiarem desses tipos de tratamento.

Outros fatores também podem estar envolvidos na piora dos pacientes com AVC isquêmico. Um desses fatores é a ocorrência de crises convulsivas. Algumas dessas crises, entretanto, são silenciosas. Algumas anormalidades vistas ao eletroencefalograma (EEG)  têm, ainda, significado incerto e estão associadas a um maior risco para a ocorrência de crises convulsivas. A hipótese levantada pelo pesquisador da Unicamp foi se determinados padrões de EEG poderiam ser associados a um pior prognóstico no AVC isquêmico.

Fabrício, juntamente com outros membros da equipe de neurologia vascular da Unicamp, avaliaram 157 pacientes a partir de exames de EEG. A equipe da Unicamp verificou que aqueles pacientes com anormalidades específicas tiveram uma chance cerca de duas vezes maior para uma pior evolução após o AVC isquêmico, quando comparados com outros pacientes.

“Esses achados abrem caminho para a avaliação de tratamentos para esses pacientes com anormalidades específicas na tentativa de melhorar o seu prognóstico. É provável que alguns pacientes se beneficiem de tratamento profilático com medicamentos anti-convulsivantes”, revelou o médico que atua como diretor da Unidade de AVC do Hospital Geral de Fortaleza.

O grupo de neurologia vascular da Unicamp teve participação expressiva no X Congresso Brasileiro de Doenças Cerebrovasculares com a apresentação de 14 trabalhos sendo cinco deles orais, além de palestras e mesas redondas. Veja mais sobre o evento.

Fonte Imprensa Unicamp