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Ciclo Vivo

Pesquisa relaciona mudanças climáticas com doenças na cidade de São Paulo

Publicado em 19 março 2012

Entre as moléstias com maior agravamento devido ao clima estão as doenças isquêmicas, hipertensivas, cerebrovasculares, gripe e pneumonia, além de outras relacionadas às vias aéreas, infecções e doenças infecciosas intestinais.

Coordenada por Miguel Cendoroglo Neto, uma pesquisa desenvolvida em parceria entre o Hospital Albert Einstein e a Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP) utilizou informações fornecidas pela Secretaria Municipal da Saúde sobre o número de internações e mortes na maior cidade do Brasil, no período entre 2002 e 2006, com vistas ao desenvolvimento de um Atlas de Saúde, uma base de dados com acesso público pela internet.

Para tanto, o uso de um sistema de informação geográfica (SIG), que mostra a relação entre a oferta e a demanda de serviços de saúde, ajudou no mapeamento de óbitos segundo causas específicas, com incidência e prevalência de doenças e agravos, além de recursos e infraestrutura em saúde no município.

De acordo com Bento Fortunato Cardoso dos Santos, que coordena o projeto no hospital Albert Einstein, os índices de morbimortalidade e de variações climáticas nas diferentes regiões da cidade permitiram chegar a um perfil que pode ajudar na definição de prioridades de prevenção e atendimento das necessidades da população. Entre as moléstias com maior agravamento devido ao clima estão as doenças isquêmicas, hipertensivas, cerebrovasculares, gripe e pneumonia, além de outras relacionadas às vias aéreas, infecções e doenças infecciosas intestinais.

Embora a relação entre doenças e mudanças climáticas tenha sido relatada por diferentes estudos, ao longo dos últimos anos, eles apresentam resultados controversos. Por isso, o uso de indicadores distintos, de ordem econômica, cultural e ambiental, pode representar um avanço na detecção de algumas doenças e um instrumento para a tomada de decisões no âmbito da saúde.

A fim de constatar casos em que a variação da temperatura apresente algum tipo de influência em diferentes patologias e eventos, como acidente vascular cerebral (AVC), asma, pneumonia e doenças cardíacas, o pesquisador buscou reunir informações sobre incidentes dessa natureza na Capital paulista em relação às características ambientais registradas na cidade.

Na pesquisa, verificou-se que a sazonalidade de algumas doenças está diretamente relacionada à temperatura, mas também com outros fatores climáticos que podem influenciar no aparecimento de enfermidades ou mesmo intensificar seus efeitos.

De acordo com o estudo, entre a população acima de 65 anos, considerada grupo de risco para variações climáticas, foram constatados índices como 40,1% de óbitos por doenças circulatórias e 16,3% por doenças respiratórias, entre os meses de maio e agosto durante o período observado, quando as temperaturas médias são mais baixas na cidade. Também foi detectado um índice de mortes de 19,8% por neoplasias, ou seja, relacionadas com algum tipo de câncer.

No entanto, entre os 12.007 óbitos por infarto do miocárdio analisados, foi constatado haver menor mortalidade quando a temperatura ficava entre 21,6° e 22,6°C, bem como nos dias em que a umidade relativa do ar era maior. Já quando constatado maior presença de dióxido de enxofre, os casos de morte aumentaram 3,4%. Assim, constatou-se que a variação de temperatura tem maior influência nesses casos do que a sazonalidade, isto é, sua influência nesses quadros depende mais da amplitude térmica do que da época do ano. No caso do AVC do tipo hemorrágico, por exemplo, constatou-se maior incidência quando há maior variação entre a temperatura mínima e a máxima no mesmo dia.