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O Imparcial (Presidente Prudente, SP)

Pesquisa receberá bolsa

Publicado em 06 dezembro 2009

Por Raquel Faccioli

A pesquisa intitulada "A energia do palhiço: influência no crescimento, na qualidade tecnológica da cana em dois sistemas de plantio, com doses crescentes de hidrogel" foi aprovada pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) e receberá, por dois anos, a partir de 2010, duas bolsas de treinamento, uma para graduando e uma para mestrando, mais R$ 100 mil para compra de equipamentos necessários ao estudo. Inédito na área, o projeto é desenvolvido por grupo de três professores de mestrado, cinco mestrandos e seis graduandos da Universidade do Oeste Paulista (Unoeste).

Coordenado pelo docente Tadeu Alcides Marques, o projeto vai atuar em três frentes. "Uma delas é para constatar os prós e os contras de deixar no campo a palha da cana ou palhiço, que não é queimada na colheita mecanizada", diz Marques. Ele explica que ao mesmo tempo que a palha protege a superfície do solo, reduz a temperatura do mesmo e ajuda na retenção de água, ele pode ocasionar o crescimento de pragas nas lavouras. "Isso porque, como não há queima, os insetos não são exterminados", diz. "Por isso, entre 2010 e 2011, vamos observar os benefícios e malefícios de se deixar a palha no campo".

Outro aspecto que será analisado em relação ao palhiço é referente à geração de energia. "Vamos usar uma parte dos R$ 100 mil para comprar uma bomba calorimétrica, a qual mede a quantidade de energia que pode ser produzida com a queima em caldeira da palha. Com isso queremos observar se é vantajoso transportar o palhiço da roça para a usina para produzir energia elétrica".

A segunda frente de estudo da pesquisa diz respeito ao sistema de plantio. "Nosso objetivo é constatar que profundidade de cova é melhor para a colheita mecanizada, evitando perdas de partes da planta ou excesso de terra no pé da cana". A última vertente do estudo também é relacionada ao plantio. "Ela pretende avaliar a influência do hidrogel [polímeros condicionadores de solo] no desenvolvimento da planta". Marques esclarece que o poliacrilamida, nome científico do polímero, é um produto que funciona como uma esponja, retendo água do solo que é usada pela planta em seu crescimento.

O coordenador comenta que, devido ao fato de a cana ter períodos certos para plantar - começo ou fim do ano - a lavoura que servirá como base de análise para o projeto foi plantada, no campus LI da instituição, em janeiro de 2008. "Fizemos o plantio antecipado, já com uso de hidrogel e, em diferentes profundidades, porque queremos ver, em ciclos repetidos, o comportamento da plantação e porque queremos avaliar a influência do palhiço". Em junho deste ano foi o primeiro corte e, desde então, uma parte da lavoura foi deixada com palha e a outra não. "A partir do começo do ano de 2010 daremos início à avaliação do desenvolvimento da planta e isso seguirá até agosto, pois em setembro faremos o segundo corte, primeiro com palhiço, e faremos os cálculos da quantidade de energia da palha". Em 2011, o mesmo processo será executado para embasar a pesquisa.

Marques diz que todo esse trabalho se faz necessário, devido à transição que o sistema de colheita tem passado. "Estamos passando da manual para a mecanizada e muito se falou sobre a questão do emprego, em detrimento dos pontos referentes ao palhiço, plantio, que são aspectos muito relevantes", fala. "Com o objetivo de preencher essa lacuna, montamos o grupo e vamos pesquisar para dar subsídio aos produtores de cana". Quanto à concessão de bolsas e do auxílio para equipamentos, o coordenador expõe que é uma forma de incentivar o estudante e a própria pesquisa que vai focar a região.