Notícia

Folha de S. Paulo (Ribeirão Preto)

Pesquisa quer reduzir doenças respiratórias em período crítico

Publicado em 20 julho 2011

Por ELIDA OLIVEIRA

Um grupo de pesquisadores da USP de Ribeirão Preto quer diminuir casos de crises de asma, mais frequentes em períodos de frio e seca, nos atendimentos dos postos de saúde públicos da cidade.

Para isso, dará treinamento à equipe médica das oito UBSs (Unidades Básicas de Saúde) e das três unidades de saúde da família do distrito norte de Ribeirão, que abrange 125 mil pessoas.

A maior parte é de crianças e adolescentes, mais sensíveis às crises respiratórias.

O projeto Foca (Foco no Controle da Asma) é inédito na cidade e tem financiamento da Fapesp (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de SP) e apoio da Secretaria da Saúde de Ribeirão.

O objetivo é quantificar casos de pacientes que dão entrada nas UBSs com crise respiratória. "Começamos agora porque é o período mais crítico pelo frio, baixa umidade do ar e queima da cana", disse Karla Arruda, coordenadora da pesquisa.

Em agosto começam os treinamentos com as equipes de médicos, enfermeiros e agentes comunitários de saúde para orientarem os pacientes a fazer o tratamento antes do período crítico.

O resultado esperado é a menor incidência das crises. "Muitos pacientes tratam a doença só durante a crise, às vezes precisam até ser internados pela inflamação".

O período mais crítico é entre março e agosto, quando diversos fatores que agravam a saúde atuam ao mesmo tempo. "Há maior incidência de gripes, resfriados, a umidade está mais baixa e há o frio", disse Arruda.

Em Ribeirão, existe ainda uma maior exposição da população à fuligem da queima da cana, disse Arruda. A Secretaria de Estado do Meio Ambiente estima que a queima deverá gerar na região cerca de 658 mil toneladas de poluentes neste ano.

Inmet aponta risco grave de queimadas

Há dez dias, o índice de inflamabilidade do Inmet (Instituto Nacional de Meteorologia) indica risco de grave a perigoso na ocorrência de queimadas em grande parte do Estado.

O dado é captado por fotos de satélite com base na vegetação seca e na água do solo, segundo o Inmet, e representa maior risco de queimadas.

Só em Araraquara, 171 queimadas urbanas foram registradas de maio a julho, segundo a Secretaria do Meio Ambiente -125 delas geraram multas. Em Ribeirão, 60 multas foram aplicadas entre maio e junho, de acordo com a prefeitura.