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O Diário (Mogi das Cruzes) online

Pesquisa quer combater obesidade

Publicado em 25 novembro 2007

Em 20 anos, 350 milhões de pessoas no mundo - o correspondente ao dobro da atual população do Brasil - serão vítimas de diabetes, cerca de 90% dos casos atribuídos à obesidade. Somados a estes números, sabe-se que hoje, 35% dos brasileiros apresentam sobrepeso ou são obesos. Preocupada com esta realidade e com o objetivo de contribuir para a redução destes índices, a Universidade Braz Cubas (UBC) desenvolve pesquisas nestas áreas.

O resultado do trabalho de um grupo de 7 alunos dos cursos de Farmácia e Ciências Biológicas - bolsistas de iniciação científica da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e da própria UBC -, sob a coordenação dos professores de Bioquímica Márcio Alberto e Adriana Souza Torsoni, pode levar ao melhor conhecimento destas patologias e ao desenvolvimento, pela indústria farmacêutica, de medicamentos para combate da obesidade, diabetes, hipertensão e outras doenças causadas pelo excesso de peso.

A pesquisa, que teve início em 2002 e chega à sua segunda etapa, vai se estender até 2009. "Observamos que a proteína AMPK (proteína quinase ativada por AMP), localizada no Sistema Nervoso Central, tem importante papel no controle da glicemia e responde por hormônios como leptina, insulina e nutrientes, se transformando em alvo terapêutico para o tratamento da diabetes e obesidade. Esta proteína atua sobre uma outra proteína chamada ACC (acetil-CoA carboxilase), também localizada no sistema nervoso central", explica o professor, contando que os experimentos são feitos com ratos e camundongos.

Agora, o próximo passo do grupo é investigar o efeito desta proteína sobre a ACC, que está envolvida com o metabolismo de gordura. "Nesta segunda etapa, investigamos se esta proteína tem papel fundamental em induzir o aumento exagerado de peso e à perda do controle da glicemia", completa Torsoni.

Ele lembra que a proteína está relacionada à alteração do gasto energético no organismo. "Por isso, quando inibimos esta enzima, desencadeamos a sensação de saciedade", diz, destacando que dois trabalhos estão sendo publicados em revistas científicas internacionais, outros ganharam destaque em congressos e dois alunos defenderam teses de doutorado na Unicamp abordando a pesquisa.

Segundo o professor coordenador do projeto, este tipo de atividade é fundamental porque proporciona aos alunos oportunidade para que se envolvam em projetos de iniciação científica, complementando a formação adquirida em sala de aula, além de ser excelente para seu currículo", avalia Torsoni.

"Se conseguirmos mostrar que estas proteínas são alvos terapêuticos, outros grupos podem desenvolver compostos químicos para que atuem nestes alvos combatendo a obesidade, diabetes, hipertensão e outras doenças associadas ao excesso de peso. "Avançar nos conhecimentos nesta área é extremamente interessante porque representa um degrau a mais no conhecimento da patologia", completa o professor.

Além da bolsa desta bolsa da Fapesp, pela qual Torsoni já esteve envolvido durante 8 anos no desenvolvimento de várias pesquisas na área da Saúde - sobre radicais livres e estresse oxidativo -, o professor tem bolsa de produtividade em pesquisa pelo CNPq.