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CIB - Conselho de Informações sobre Biotecnologia

Pesquisa que resultou em melhoramento da mandioca é premiada

Publicado em 07 março 2012

A participação em pesquisas que resultaram no desenvolvimento de uma variedade de mandioca mais nutritiva, saborosa e produtiva rendeu à pesquisadora Teresa Losada Valle, do Instituto Agronômico (IAC), o Prêmio Péter Murányi 2012

A homenagem é concedida pela Fundação Péter Murányi a trabalhos que ajudem a melhorar a qualidade de vida dos brasileiros e de outras populações situadas ao sul do paralelo 20 de latitude norte. A edição deste ano priorizou estudos na área de alimentação. A pesquisadora receberá R$ 150 mil.

Em entrevista à Agência FAPESP, Valle contou que as pesquisas com a variedade de mandioca amarela batizada de IAC 576-70 começaram na década de 1970 e que o grupo deve lançar em breve no mercado uma nova variedade ainda mais nutritiva."Antes a mandioca branca, menos rica em vitamina A, era a mais consumida. A mandioca amarela que existia naquela época produzia pouco e tinha baixa resistência a doenças e pragas", disse.A diferença de cor entre os dois tipos, explicou, deve-se ao fato de que a variedade amarela é mais rica em carotenoides - substâncias antioxidantes que, no organismo humano, se transformam em vitamina A. "Enquanto uma porção de mandioca branca tem 21 unidades internacionais de vitamina A, a mandioca IAC 576-70 tem 230", disse.Por meio de técnicas tradicionais de melhoramento genético, ou seja, cruzamento entre variedades distintas e seleção de exemplares com as características desejadas, os cientistas do IAC conseguiram desenvolver uma variedade de mandioca amarela mais produtiva, saborosa e resistente a doenças e pragas.

O trabalho levou aproximadamente 20 anos para ser concluído."Essas sementes chegaram ao mercado no fim dos anos 1980 e nos anos 1990 se difundiram completamente. Hoje, em São Paulo, praticamente só se consome a IAC 576-70. Ela também é muito comum no Paraná, Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Distrito Federal", disse.Para disseminar a nova variedade principalmente entre pequenos produtores rurais e a população de baixa renda das grandes cidades, sementes da IAC 576-70 eram distribuídas até em igrejas e postos de saúde, graças a parcerias com assistentes sociais, profissionais de saúde e organizações assistenciais."Essa variedade produz praticamente o dobro em relação ao grande número de variedades que eram cultivadas anteriormente em quintais. Essas populações passaram a ter mais alimentos e de melhor qualidade e ainda podiam vender o excedente", disse Valle.O trabalho foi considerado inovador pela organização do Prêmio Péter Murányi por se preocupar também com as questões de acesso da população a essa variedade da mandioca.

Valle revelou que um novo tipo ainda mais rico em vitamina A já está em fase final de estudo e deve ser lançado em breve pelo IAC. "Tem cerca de 800 unidades internacionais do nutriente por porção", disse.A pesquisadora já coordenou cinco projetos de pesquisa com diferentes variedades de mandioca com apoio da FAPESP. O mais recente tinha como objetivo identificar novas variedades do tubérculo com alta produtividade e alto rendimento industrial, que possam ser usados para a produção de farinha de mandioca, amido e biomassa, com potencial para fabricação de etanol e alimentação animal.

Os outros dois finalistas do prêmio foram Marília Regini Nutti, da Embrapa Agroindústria de Alimentos, e Eder Dutra de Resende, Eliana Monteiro Soares de Oliveira e Suelen Alvarenga Regis, da Universidade Estadual do Norte Fluminense Darcy Ribeiro.

Agência Fapesp

Fonte: Portal do Agronegócio-MG