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Associação Paulista de Jornais

Pesquisa que beneficia cegos busca parceria

Publicado em 10 maio 2011

Por Maria Stella Calças

Pesquisadores do Departamento de Ciências da Computação e Estatística do Ibilce, campus rio-pretense da Unesp, procuram parceria para a produção em larga escala de um equipamento que traduz textos da internet em braile. Com isso, os idealizadores do projeto, José Márcio Machado e Mário Luiz Tronco (atualmente professor da USP de São Carlos), pretendem oferecer aos deficientes visuais a oportunidade de ler, em tempo real, textos publicados na rede mundial de computadores.

O equipamento, desenvolvido entre 2007 e 2009, recebeu verba de R$ 70 mil da Fapesp. "Nós decidimos tentar criar uma forma para leitura dinâmica de textos da internet para auxiliar na inclusão dessas pessoas. E conseguimos, agora precisamos de algum industrial interessado em fabricá-lo para a venda", diz o professor José Márcio Machado. Com funcionamento acionado por estímulos elétricos, o teclado é formado por placas que contêm os símbolos em braile. "Conforme o software reconhece a letra, faz - por meio de estímulos elétricos e imãs - com que hastes de ferro sejam acionadas e formem as letras em braile", explica Machado.

Agora, os pesquisadores buscam difundir o uso do equipamento, que ainda não foi testado por deficientes visuais. "Para fazermos testes com os cegos precisamos de um teclado maior, e para isso necessitamos de um industrial que o produza", diz o professor. Com o sucesso do projeto para a leitura de textos, os pesquisadores já pensam em expandir para a leitura de imagens. "Queremos criar, agora, um leitor desses para imagens. Nele, as imagens seriam transformadas em bit - em pontos pretos e brancos - por um software e acionariam, como no leitor de textos, hastes metálicas que proporcionariam ao cego a oportunidade de sentir a imagem", afirma Machado.

Avanço

Para o professor de informática do Instituto dos Cegos Rio-pretenses, Rodolfo da Cunha, um teclado como o desenvolvido pelos professores seria de muita ajuda, caso não seja um equipamento caro. "Se for acessível à maioria, é muito bom. Tudo o que chega ao mercado para ajudar é válido." Segundo Cunha, hoje em dia os deficientes visuais utilizam softwares de som para acessar em computadores. "Todos os comandos são transformados em som para que eles se localizem, os textos também. Ter um teclado que proporcionasse a leitura facilitaria o uso de micros em locais públicos e no trabalho", afirma.

Os pesquisadores da Unesp de Rio Preto dizem não saber qual seria o valor do equipamento no mercado. "Para estimar esse custo, um industrial precisaria analisar o projeto e montar uma tabela de gastos e lucro, o que ainda não temos", afirma o pesquisador Machado.