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O Diário (Mogi das Cruzes) online

Pesquisa procura identificar relação entre fome e saciedade

Publicado em 20 fevereiro 2005

Pesquisa coordenada por Márcio Alberto Torsini quer evitar a alimentação em excesso e descobrir os mecanismos que "avisa" o cérebro quando a pessoa já está saciada

Manter o controle sobre a fome e saber o exato momento em que as necessidades de alimentação do corpo já estão saciadas é uma das tarefas mais difíceis para milhares de pessoas que lutam contra a obesidade. A solução para este problema é de interesse mundial e muitos pesquisadores, principalmente nos países ocidentais, têm realizado grandes esforços para melhor compreender este problema. No Brasil, recentes pesquisas mostram que a obesidade atormenta 50% da população que vive nas capitais brasileiras.
Segundo o professor Márcio Alberto Torsoni, da Universidade Braz Cubas (UBC), vários fatores contribuem para o desenvolvimento da obesidade, mas o hábito alimentar e o sedentarismo estão entre os principais fatores a se considerar. "O indivíduo obeso pode apresentar alterações bioquímicas no hipotálamo que torna mais difícil a perda de peso, por isso, após o regime ele pode ganhar peso novamente se o hábito alimentar não mudar", explica.
Investigar os mecanismos bioquímicos envolvidos com o ganho de peso e os problemas associados à obesidade é o objetivo de um grupo de alunos da UBC, coordenados por Torsoni.
Com financiamento da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP) - que disponibilizou a verba de R$ 180 mil para a aquisição de equipamentos e materiais de consumo - e apoio do professor Davi Chermann (diretor de pesquisa e pós- graduação da UBC) - eles desenvolvem o projeto que tem como objetivo estudar se a enzima denominada quinase ativada por AMP (conhecida por AMPK) pode levar ao cérebro a informação - por meio de sinais via receptores no sistema nervoso central - de que uma pessoa já está saciada, evitando assim que ela se alimente em excesso e enfrente problemas com a obesidade.
Professor de Bioquímica dos cursos de Farmácia, Ciências Biológicas e Enfermagem da Braz Cubas, Torsoni mora em Campinas - onde é pesquisador associado na Unicamp - e é autor do projeto intitulado "Envolvimento de AMPK do Sistema Nervoso Central no Controle da Fome e Metabolismo Periférico".
O controle do apetite e da saciedade - a sensação de que já comemos o suficiente - acontece no cérebro e independe da nossa vontade. "O hipotálamo é o responsável pelo controle da fome por meio de alterações bioquímicas que resultam na saciedade, mas pouco se sabe sobre os mecanismos que levam a esta atividade. Por isso, vamos pesquisar se a enzima chamada AMPK, que é encontrada nos neurônios e faz parte da fisiologia do sistema nervoso central, tem este papel de informar quando uma pessoa já ingeriu a quantidade de caloria diária necessária. Para estes estudos são utilizados animais, já que é necessária uma cirurgia que dá acesso ao hipotálamo. Com o uso de drogas e inibidores da ação desta enzima e de outros processos bioquímicos será possível conhecer seu envolvimento no controle da fome. Já sabemos que a inibição desta enzima diminui a fome do animal", explica o professor.
Ele também destaca que esta pesquisa pode descobrir novos alvos terapêuticos para a indústria farmacêutica destinada ao combate à obesidade, diabetes, hipertensão e outras doenças causadas pelo excesso de peso. O trabalho, coordenado pelo professor Torsoni, envolve os alunos Alex de Souza, Eduardo Ferreira e Fernanda Duarte, do curso de Ciências Biológicas da UBC, e Rosemeire Franco, que estuda Farmácia na Braz Cubas. "Esta pesquisa teve início durante meu pós-doutorado em Clínica Médica, na Unicamp, onde tenho alunos do doutorado também desenvolvendo um projeto nesta área. Recentemente, os estudantes da UBC foram até lá em busca de informações sobre as técnicas para o início deste estudo na Braz Cubas", conta Torsoni.