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Pesquisa prevê aumento do plantio de café robusta no interior de SP

Publicado em 21 setembro 2008

Agência Fapesp

Tendência será estimulada pelo custo mais baixo e manejo mais simplesConfirmando a tendência de crescimento da demanda por café robusta (Coffea canephora) em todo o mundo, um estudo feito por pesquisadores do Instituto de Economia Agrícola (IEA) e do Instituto Agronômico (IAC) concluiu que a agricultura paulista está prestes a criar um novo segmento: um aumento significativo do plantio da espécie está previsto para os próximos anos no interior do Estado.

O trabalho, publicado na edição de agosto da revista Informações Econômicas, mostra que esse aumento deverá ser estimulado pelo custo de produção mais baixo e pelo manejo agronômico mais simples do café robusta em relação ao café arábica (Coffea arabica).

"Como o próprio nome diz, a planta do café robusta é mais vigorosa e produtiva, desde que adequadamente manejada do ponto de vista agronômico. Seu custo é inferior porque ela é tolerante a doenças fúngicas e a pragas às quais o arábica é extremamente sensível. A produtividade do robusta também é significativamente maior", disse Celso Luis Vegro, pesquisador do IEA e um dos coordenadores do estudo, à Agência Fapesp.

O trabalho é um dos resultados do projeto Relações entre os setores de produção e industrialização do café dos principais estados produtores brasileiros e a economia nacional: um modelo inter-regional de insumo-produto, apoiado pela Fapesp na modalidade Auxílio Regular a Pesquisa, em projeto coordenado por Flávia Maria de Mello Bliska, do IAC.

De acordo com o estudo, o custo para a safra 2005/2006 de produção do café robusta foi de R$ 114,79 por saca, enquanto o do café arábica foi de R$ 234,83 por saca. O Estado de São Paulo é responsável pela industrialização (torra, moagem e solubilização) de aproximadamente 40% de todo o café produzido no território nacional.

O consumo brasileiro de café atinge hoje 17 milhões de sacas ao ano. Mas é justamente da demanda não atendida pela cafeicultura paulista, no entanto, que surge a possibilidade de sua diversificação com a cultura do café robusta, que tem ainda uma concentração de sólidos solúveis maior que o do arábica.

“Enquanto no arábica o teor médio de cafeína é de 1,2%, no robusta essa concentração chega a 4%. Isso é apenas um exemplo entre as mais de 1,2 mil substâncias gustativas e aromáticas existentes em um grão de café”, disse o pesquisador. Outro ponto importante é o fato de o porto de Santos embarcar cerca de 65% das exportações de café e o país ter uma carteira de pedidos de café robusta que não consegue ser atendida, devido à grande concorrência que existe por esse produto.

Vegro esclarece que, por ser um produto mais barato do que o arábica, a indústria tem usado a estratégia de adicionar um percentual crescente de café robusta no arábica, para manter a competitividade. A produção de café robusta no Brasil é da ordem de 11 milhões de sacas por ano, sendo que pelo menos oito milhões delas são misturadas ao arábica para o suprimento interno.

“Atualmente, as principais marcas de café comercializadas têm entre 40% e 60% de robusta na liga e muitas vezes se trata de um café robusta mal preparado, o que acaba prejudicando o resultado final do produto”, apontou.