Notícia

Revista Nacional da Carne

Pesquisa pioneira de genes bovinos começa no Brasil

Publicado em 01 junho 2003

Primeiro, foi a bactéria Xynella fastidiosa, causadora da praga de laranja em citros no Estado de São Paulo. Ela iniciou, em 1997, as pesquisas genômicas no Brasil, quando a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), organizou a Onsa - Instituto Virtual de Genômica - e decifrou o material dela. A partir daí, os estudos de seqüenciamento de genes se estenderam para outras áreas. O segundo, que começou um ano depois, identificando 50 mil genes da cana de açúcar, foi concluído em 1999. Com um custo de R$ 4 milhões, permitiu descobrir genes envolvidos com o desenvolvimento, produção e teor de açúcar da planta. Depois disso, vieram o Projeto Genoma Humano do Câncer (1999), o Programa Genoma Clínico (2002), para novas formas de diagnóstico e tratamento da doença a partir de estudos dos genes, entre outros. A partir de maio, teve início um trabalho voltado à carne bovina. Trata-se do Genoma Funcional do Boi, a primeira iniciativa do País na área. O projeto tem apoio da Central Bela Vista Genética Bovina e fomento da Fapesp. A empresa mantém, há anos, convênio de cooperação científico-tecnológica com a Universidade Estadual Paulista (Unesp) para aprimorar tecnologias de produção do novilho precoce, além de estudos acerca da qualidade da carne bovina. A empresa, que apresenta uma produção de sêmen e embriões de 750 mil doses por ano, investirá cerca de US$ 500 mil no projeto. A idéia é que o trabalho apresente ferramentas para solucionar problemas da cadeia produtiva nas áreas de imunologia, reprodução, precocidade e qualidade da carne. "Para isso, a raça nelore foi a escolhida, uma vez que ela se adapta às condições brasileiras, e é a que está mais presente nas fazendas locais", afirma José Fernando Perez, diretor-científico da Fapesp desde 1993. Físico e engenheiro eletrônico formado pelo Universidade de São Paulo (USP). Perez conclui doutorado na Suíça - Escola Politécnica de Zurique - e, atualmente, é professor titular do Instituto de Física da USP. Em entrevista à RNC, o executivo da Fapesp. e um dos coordenadores do projeto, Luiz Lehmann Coutinho, professor associado do Departamento de Zootecnia Esalq (USP) falam das expectativas do Genoma Funcional do Boi, dos impactos que ela trará ao segmento cárneo, e da preocupação da entidade em formar profissionais.