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Pesquisa permite reaproveitar resíduos de couro

Publicado em 29 janeiro 2008

Técnica promete diminuir problema ambiental


Uma pesquisa inédita vai possibilitar o reaproveitamento dos resíduos da produção de couro. A técnica consegue retirar elementos químicos que são adicionados ao couro durante o curtimento. Um deles, o cromo, é prejudicial à saúde e precisa ir para aterros controlados.

A responsável pelo trabalho é a química Joana D'Arc Félix de Souza, pós-doutorada em química pela Universidade de Harvard, nos Estados Unidos. A pesquisa começou há oito anos e, no Brasil, e é financiada pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp). O projeto recebeu investimento de R$ 600 mil e deve terminar no final deste ano.

A nova técnica extrai produtos das sobras de couro, que podem ser usados até na produção de biodisel. Além dele, são retirados do couro mais quatro produtos: cromo, água, corantes e o colágeno, que serve até para tratamento de pele de vítimas de queimaduras.

O próximo passo é descobrir a melhor aplicação de cada produto das sobras de couro. "Já fui procurada por várias empresas, interessadas nessa técnica, que vai revolucionar essa questão ambiental", disse a pesquisadora.

Atualmente, os resíduos das indústrias de calçado, as que mais usam couro, são um problema ambiental. Somente em Franca, o aterro sanitário recebe 90 toneladas por dia. "Se isso pudesse ser reciclado e voltasse a ser uma matéria-prima para gerar um outro produto, seria um ganho muito grande para o meio ambiente", explica Vera Sílvia Barilari, da Companhia de Tecnologia de Saneamento Ambiental (Cetesb).

Os empresários do setor também prometem apoiar o desenvolvimento do projeto. "O benefício dele será grandioso, afinal um resíduo que seria jogado fora se tornará matéria prima de um produto muito nobre", disse o presidente do Sindicato das Indústrias de Calçados de Franca, Jorge Donadelli.