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Pesquisa permite reaproveitar resíduos de couro

Publicado em 28 janeiro 2008

Técnica promete diminuir problema ambiental


Uma pesquisa inédita vai possibilitar o reaproveitamento dos resíduos da produção de couro. A técnica consegue retirar elementos químicos que são adicionados ao couro durante o curtimento. Um deles, o cromo, é prejudicial à saúde e precisa ir para aterros controlados.

A responsável pelo trabalho é a química Joana D'Arc Félix de Souza, pós-doutorada em química pela Universidade de Harvard, nos Estados Unidos. A pesquisa começou há oito anos e, no Brasil, e é financiada pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp). O projeto recebeu investimento de R$ 600 mil e deve terminar no final deste ano.

A nova técnica extrai produtos das sobras de couro, que podem ser usados até na produção de biodisel. Além dele, são retirados do couro mais quatro produtos: cromo, água, corantes e o colágeno, que serve até para tratamento de pele de vítimas de queimaduras.

O próximo passo é descobrir a melhor aplicação de cada produto das sobras de couro. "Já fui procurada por várias empresas, interessadas nessa técnica, que vai revolucionar essa questão ambiental", disse a pesquisadora.

Atualmente, os resíduos das indústrias de calçado, as que mais usam couro, são um problema ambiental. Somente em Franca, o aterro sanitário recebe 90 toneladas por dia. "Se isso pudesse ser reciclado e voltasse a ser uma matéria-prima para gerar um outro produto, seria um ganho muito grande para o meio ambiente", explica Vera Sílvia Barilari, da Companhia de Tecnologia de Saneamento Ambiental (Cetesb).

Os empresários do setor também prometem apoiar o desenvolvimento do projeto. "O benefício dele será grandioso, afinal um resíduo que seria jogado fora se tornará matéria prima de um produto muito nobre", disse Jorge Donadelli, presidente do Sindicato das Indústrias de Calçados de Franca.