Notícia

Gazeta do Povo

Pesquisa nacional tem prestígio, mas inova pouco

Publicado em 28 dezembro 2001

Por Laura Knapp
São Paulo (AE) - COMO FAZER UMA PESQUISA sair do laboratório e se transformar em produto? Para tentar responder essa pergunta, cada vez mais freqüente no meio acadêmico, o Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT) e a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) realizaram este mês o Seminário Comercialização Internacional de Tecnologia Brasileira. O espírito inventivo está aumentando muito no Brasil, com fantásticas criações de nível internacional, afirma Robert M. Sherwood, consultor em licenciamento e comercialização de tecnologia de empresas. Ele sabe o que diz. Há mais de uma década faz visitas periódicas ao Brasil, normalmente a cada três meses, para prestar assessoria no assunto. Há um interesse muito maior na criação de tecnologias, diz. A inovação, no entanto, está acontecendo nas pequenas empresas, nas universidades, e não nas grandes corporações. Trata-se de um movimento também restrito mais ao estado de São Paulo, com reflexos no Paraná e em Minas Gerais, completa Christopher M. Ostrovski, presidente da Technology Partners International, em-. presa do Canadá que faz a intermediação entre pesquisadores e investidores. Sem tradição no desenvolvimento tecnológico próprio, o Brasil engatinha na área. Para os cientistas acadêmicos, lidar com o mundo dos negócios ainda é uma grande novidade. É uma grande incógnita, o primeiro passo para quem quer ganhar dinheiro com suas pesquisas é refrear o instinto científico de publicar seus achados. No Brasil, a lei dá ao pesquisador um ano de prazo entre a publicação da pesquisa e a entrada do pedido de patente. Porém, como nem todos os países fazem o mesmo, ao divulgar suas descobertas o cientista basicamente a coloca ao alcance de qualquer outra pessoa que queira registrá-la como sua em outra nação. Pense antes de publicar, aconselha Sherwood. É preciso apresentar um pacote muito bem feito para o investidor, mostrando todos os aspectos do plano, ensina Ostrovski. Licenciamento de tecnologia é um negócio, e assim exige uma estratégia de negócios, diz Wafter J. Bayer, vice-presidente e conselheiro geral da GE Iicensing. Tecnologias inovadoras são tão importantes que grandes empresas, como a GE e a IBM, por exemplo, contam com um departamento interno só para analisar e patentear as invenções de seus próprios funcionários. Esta é uma das grandes dificuldades dos acadêmicos. Como saber se sua pesquisa vale o investimento para transformá-la em produto? Afinal, 90% do que é produzido nas universidades não é comercializável, diz Ostrovski. Entra aí o papel dos departamentos, dedicados a prospectar boas oportunidades de negócios.